O empresariado e a maioria dos políticos gaúchos pretendem deflagrar um movimento para que a Ford não deixe de construir sua futura nova unidade no Rio Grande do Sul. O governador Olívio Dutra (PT) disse, em entrevista, que a ‘‘mesa de negociações está aberta com a proposta do governo’’. Ele declarou que o presidente da Ford, Ivan Fonseca e Silva, teria de ir ao governo, o que não fez, e se manifestar oficialmente sobre a proposta feita à empresa. ‘‘Com o que a Ford está jogando, quais são os reais interesses da Ford nessa questão. É ter seriedade, transparência ou fazer pirotecnia?’’, questionou.
O principal líder empresarial local, Jorge Gerdau Johannpeter (grupo Gerdau), disse que, enquanto a Ford não definir um novo Estado para sua fábrica, os gaúchos devem ter ‘‘a hombridade de entrar novamente no leilão, provavelmente tendo que pagar mais do que anteriormente’’.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul, Dagoberto Lima Godoy, disse que os empresários não vão desistir da luta pela implantação do empreendimento e, junto com a sociedade, ‘‘pressionarão’’ o governo a mudar de posição. O presidente da Federação das Associações Comerciais do Rio Grande do Sul, Mauro Knijnik, disse ser uma ‘‘exigência’’ que o governo e a Ford retomem as negociações.
O PMDB, partido do ex-governador Antônio Britto, que assinou o contrato com a Ford, distribuiu nota, junto com PPB, PSDB, PTB e PFL, sob o título ‘‘O governo não tem o direito de destruir nosso futuro’’. O presidente da Assembléia Legislativa, Paulo Ribeiro (PMDB), marcou para hoje uma reunião com a participação da bancada federal gaúcha, da qual pode resultar uma proposta à Ford.
Em Guaíba, cidade da região metropolitana de Porto Alegre que sediaria a indústria, o clima era de pesar. A prefeitura se declarou ‘‘de luto’’. O prefeito Nélson Cornetet (PTB) chorou quando o presidente da Ford, Ivan Fonseca e Silva, se despediu da cidade, sob o coro de ‘‘fica, fica’’. Uma faixa preta foi colocada na entrada da prefeitura. Houve também uma manifestação de cerca de 500 pessoas no centro da cidade contra a saída da Ford do Estado.
Algumas lojas fecharam em protesto ao ‘‘fracasso’’ das negociações que o governo gaúcho conduziu para tentar, sem sucesso, a permanência da Ford no Estado. Os cerca de 80 mil moradores de Guaíba, mais do que ninguém, tinham esperanças de ser absorvidos pela Ford. De início, a empresa geraria 1.500 empregos diretos, com salário médio de R$ 600 mensais. ‘‘E agora, perdemos a chance’’, disse o prefeito, que, mais tarde, teve uma reação de ânimo e declarou ainda ter esperanças de demover a Ford de sua decisão.

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