Gaúchos impedem vistoria desde 97
Gaúchos impedem vistoria desde 97
Desde 1997 pecuaristas gaúchos estão impedindo que o Incra realize vistorias em suas propriedades para a medição dos índices. Este ano, a Exposição Internacional de Esteio (RS) chegou a ser boicotada por produtores, que conseguiram um compromisso do ministro da Reforma Agrária Raul Jungmann de rever a metodologia dos índices.
Há um mês estamos aguardando por novas regras, e não vamos permitir que nenhuma propriedade seja vistoriada enquanto o critério não mudar, afirmou Fernando Adauto, presidente da Comissão de Pecuária de Corte da Federação de Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul). Atualmente, todo animal com menos de 2 anos vale apenas 0,37 de uma unidade animal, independente de seu peso. Com 2 anos, a rês vale 0,83 de uma unidade animal.
A nota de corte estabelecida pelo ministério da Política Fundiária estabelece que uma propriedade é considerada improdutiva no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo se tiver menos de 1,2 unidade animal por hectare. Na região Centro-Oeste, este índice cai para 0,46 unidade animal por hectare. E nas regiões Norte e Nordeste, o limite é de apenas 0,23 unidade animal por medida de área. Como o rebanho da região Sul é mais precoce, qualquer ganho de produtividade paradoxalmente aumenta a chance da propriedade se tornar improdutiva, já que a diminuição da idade de abate reduz o índice de unidade animal.
Para o ex-presidente do Incra, deputado Francisco Graziano (PSDB- SP), o critério do ministério da Política Fundiária é absolutamente ultrapassado do ponto de vista técnico e agronômico. Segundo Graziano, para o Incra interessa que este critério fique mantido porque aumenta o poder de arbítrio dos técnicos para definir o que é e o que não é passível de desapropriação. De acordo com o deputado, do jeito que está hoje, o índice de produtividade para a pecuária não tem nenhuma objetividade. (A.E.)





