A Churrascaria Gaúcha, de Londrina, fechou as portas no início deste mês. Com 53 anos de tradição, a churrascaria teve seus tempos áureos na década de 70 e vinha enfrentando dificuldades nos últimos anos por causa da grande concorrência. Há 11 meses, o antigo proprietário Luiz Darol Neto entregou o negócio a 15 funcionários.
Em troca das verbas rescisórias, os empregados poderiam explorar a churrascaria por dois anos sem pagar aluguel do prédio, segundo o ex-funcionário Leandro Valente de Souza.
Os empregados encerraram as atividades da Gaúcha com uma dívida de cerca de R$ 15 mil. ‘‘Paramos de trabalhar porque a água e a luz foram cortadas’’, contou a cozinheira Creusa Amaral, que trabalhou seis anos no restaurante.
Entre os famosos que passaram pela casa destacam-se a miss Brasil Marta Rocha, o jornalista Carlos Lacerda o ator Mazzaropi, os cantores Luiz Gonzaga e Sérgio Reis, além de políticos de todo o País. O churrasqueiro Hélio Roque Ferreira, mais conhecido como Mussum, trabalhou 30 anos no local. ‘‘A Gaúcha não se modernizou e foi engolida pela concorrência.’’
Ferreira era o sócio majoritário da cooperativa de empregados, com 25%. ‘‘Tirei R$ 1,5 mil do meu bolso para pagar dívida com fornecedores’’, disse. Ele contou que só concordou em assumir a empresa, junto com os amigos, para não ficar desempregado e porque não havia recebido as verbas rescisórias e uma parte do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
‘‘Passei a maior parte da minha vida na churrascaria’’, disse Ferreira, que afirmou estar enfrentando dificuldades financeiras, com contas de água, luz e telefone atrasadas. ‘‘Anteontem, tentei entregar o prédio para a dona mas não consegui. Ela disse que terei que procurar um advogado. Eu fiquei com um abacaxi na mão porque tenho que procurar outro emprego mas preciso cuidar do prédio para evitar roubos’’, reclamou. Em 1975, o churrasqueiro assava cerca de 200 quilos de carne por dia. Nos últimos meses, a média mensal era de 300 quilos.
A ex-caixa Edite Alves Lopes, saiu da cooperativa há 90 dias depois de ficar vários meses sem receber. ‘‘Eu ganhava R$ 800 por mês como empregada. Como patroa, passei a ganhar R$ 50 por mês’’.

mockup