Gates diz que Microsoft não é império do mal
Gates diz que Microsoft
não é império do mal
Steven Levy, da Newsweek
Agência Estado
Arquivo FolhaSem ameaçasBill Gates: Temos clientes, fabricantes de softwares e a lei do nosso ladoO milionário americano Bill Gates, dono da Microsoft, diz que se a Justiça vencer, vai arruinar o ramo de PCs. No mês passado, numa conversa às vezes áspera com o editor-sênior da Newsweek, Steven Levy, o presidente da Microsoft declarou, em tom desafiador, que sua empresa é tudo, menos um império do mal. Veja a seguir alguns trechos da entrevista:
Newsweek - A Microsoft tem ambiciosos planos para facilitar o uso de computadores acrescentando novos recursos Windows?
Bill Gates - (Sim), coisas como melhor apresentação gráfica, fala, escrita manual e compreensão da linguagem natural... são coisas que precisamos incluir no sistema operacional para torná-lo uma ferramenta melhor que a atual.
Newsweek - Se o Departamento de Justiça conseguir o que quer, essas coisas vão ficar mais difíceis para você?
Gates - Bem, naturalmente os princípios que eles defendem neste caso impediriam todas essas inovações. Mas, felizmente, este é um caso em que o interesse dos clientes está do nosso lado. Temos o setor de fabricantes de softwares, exceção feita a uma companhia, do nosso lado. Temos a lei. Ninguém nunca foi impedido de inovar. Deve estar havendo alguma confusão, pois incluir padrões Internet no Windows é evidentemente bom para a Internet.
Newsweek - Algumas pessoas dizem que haverá maior abertura se a Microsoft não embutir suas inovações e tiver de concorrer em nível de maior igualdade.
Gates - Quando o Internet Explorer 1.0 estava embutido no Windows, quanta participação no mercado conseguimos? Nenhuma. Quando o Internet Explorer 2.0 entrou para o Windows, quanta participação no mercado conseguimos? Nenhuma. Nossa participação no mercado aumentou por causa da inclusão de algo no Windows? Nossa participação no mercado aumentou tão logo o IE3 recebeu comentários elogiosos. Portanto, se alguém fizer um browser (navegador) melhor, vai dessa forma conquistar participação no mercado.
Newsweek - A ação antitruste é a maior ameaça à continuidade de seu êxito?
Gates Vamos conseguir preservar nosso direito de inovar. Eis por que ainda não penso em incluir isto (a ação) na lista das maiores ameaças à Microsoft. Mas, se você admitir como fato consumado que não vão nos deixar inovar nem ter êxito nesse campo, então esse passa a ser o principal motivo por que a Microsoft encerrará logo as atividades.
Newsweek - Quanto tempo você vai dedicar a questões políticas? Gates - Creio não haver neste país melhor história do que a ocorrida com o setor de PCs. O modo como novas companhias concorreram entre si, criaram empregos, criaram riqueza. Assim que os políticos entenderem esta faceta da economia, acho que não precisarei explicá-la muitas vezes.
Newsweek - Algumas pessoas acham que o Departamento de Justiça se contentaria com algum tipo de solução negociada. Mas você não parece tão disposto.
Gates - Ninguém jamais me sugeriu que existe um meio-termo entre Você não pode inovar e Você pode inovar. O princípio que eles (da Justiça) usam nunca nos deixaria desenvolver o Windows 95, nunca nos deixaria desenvolver o Windows NT. Conte-me o princípio pelo qual devo pedir que os designers de softwares não inovem. Preciso estar certo de que esta companhia tem futuro e portanto é preciso definir um princípio. O princípio seria o de que, se você faz alguém encerrar atividades porque acrescenta um recurso ao seu sistema (Windows), não devia agir assim. Para todos os efeitos, as leis da concorrência nos incentivam a inovar. Você está tentando dizer que agora a competição devia dar meia-volta e, em alguns casos, nos encorajar a não inovar. Vamos ganhar a causa porque ela se baseia em leis atuais.
Newsweek - Existe algo que você faz agora de modo diferente por causa da intensa vigilância?
Gates - Já estamos sob vigilância de algum tipo há uns bons cinco anos, inclusive por meio de tantas mensagens de e-mail (correio eletrônico). Talvez eu devesse escrever no pé: A propósito, precisamos continuar inovando para continuar vivos. Então eu assinaria embaixo.





