O ramo de alimentação em Londrina é a prova de que os investimentos em gastronomia não cessam mesmo em tempos de crise. Para atender à uma expectativa de demanda que aponta para mais de 25% das refeições sendo realizadas fora de casa em todo o País, estruturação para o trabalho e diversificação de serviços agregados são algums dos rumos para a manutenção desse tipo de negócio.
Londrina conta hoje com 185 pontos de venda de produtos alimentícios prontos para consumo. O superintendente do Sindicato dos Restaurantes, Hotéis, Bares e Similares, Alzir Bocchi, considera o ramo ''extremamente penoso'' na região, em virtude da grande concorrência e das constantes altas nos preços dos insumos. ''Essas altas não podem ser repassadas na mesma escala para o consumidor, seria suicídio'', acredita.
Apesar de não poder enumerar com precisão a rotatividade desse segmento em Londrina, Bocchi tem certeza de que muitos estabelecimentos fecham as portas precocemente na cidade. ''Muita gente não sabe como investir, ou acha que não precisa gastar dinheiro para o negócio se manter'', diz. Para o gerente do restaurante Rancho Grill (zona leste), João Batista Barros, os primeiros passos para uma empreitada bem-sucedida no ramo seria a definição de qual público se pretende atender, principalmente devido às características da cidade, essencialmente estudantil. ''É por isso que os self-services têm funcionado na cidade'', afirma.
Um exemplo do caso citado por Barros é o Restaurante Dá Licença, com duas casas no centro da cidade e mais uma em cada shopping. Segundo o sócio proprietário da marca, Ênio Luiz Sehn Júnior, a saúde financeira do estabelecimento com mais de 20 anos em funcionamento justifica-se pelo equilíbrio entre preço e qualidade. Além, é claro, da profissionalização de toda a equipe administrativa. ''Não adianta pensar que as coisas podem ser resolvidas 'na barriga', precisa ter respaldo profisional.''
A abertura da última casa, instalada no Shopping Catuaí (zona sul), custou caro, mas rende aos seus proprietários o dobro do faturamento registrado antes de sua inauguração, em outubro de 2002. O restaurante do Royal Plaza Shopping, no centro, já havia aumentado o volume de vendas da marca em 50%.
Para um público mais exigente, a pedida é a diversificação de serviços. Para isso, o Dá Licença adquiriu recentemente o restaurante Aquarela, também no centro da cidade, visando atender executivos e encontros de negócios. ''Essa será a casa onde poderemos trabalhar com um público diferencidado'', afirma a gerente da nova casa, Carla Sehn.
Com base em sua experiência em servir um tipo de consumidor mais requintado, João Batista Barros toca o Rancho Grill, que trabalha no sistema ''a la carte'' com investimentos constantes em decoração, pintura e até mesmo na troca de talheres. Exige, também, que seus garçons façam um atendimento personalizado para seus clientes. ''São coisas que ninguém reclama de forma direta, mas que a gente tem que perceber se está agradando ou não'', diz. E Carla Sehn, do Aquarela, conclui: ''O que os novos empresários precisam entender é que o ramo de restaurantes é, com certeza, um investimento de longo prazo''.

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