Apesar do aumento do endividamento do brasileiro nos últimos meses, o consultor de finanças pessoais e empresariais Charles Vezozzo conta que a pessoa que sofre com dívidas tende a evitar o problema depois de se recuperar.
Segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada no último dia 25 pela Confederação Nacional do Comércio de Bens e Serviços (CNC), o número de famílias com débitos subiu de 57,3% para 57,6%. Porém, Vezozzo crê que a maioria sofre com a situação. ''É algo pelo qual quem já passou não quer mais passar e da qual quem vive hoje quer sair logo'', diz.
O consultor afirma que baixar a taxa de juros, uma das medidas adotadas no Brasil, faz com que o consumidor estude investir o dinheiro em bens. ''A pessoa pode pensar que não vale a pena poupar e acaba por consumir mais, mas isso nem sempre funciona'', conta.
Ele cita como comparação o problema vivido pelos Estados Unidos, onde, depois de uma crise gerada pelo endividamento repetido da população, as medidas para facilitar o consumo não deram o efeito esperado para a retomada da economia.
O gerente regional Paulo Rogerio Romero, da Caixa, diz que o receio frente a crise mundial faz com que os trabalhadores optem pelo consumo mais consciente. Com isso, ele acredita que a poupança tende a crescer mais até o fim do ano, mas não vê risco para a economia. ''As classes C e D vão guardar mais para realizar o sonho de viajar, de comprar algo mais caro, e vão seguir o que os economistas sugerem, de poupar antes para depois gastar''. afirma. (F.G.)

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