Brasília - Graças ao aperto nos gastos públicos, o governo federal conseguiu atingir em maio um saldo positivo próximo à meta fixada para o acumulado até agosto. Segundo dados divulgados ontem pelo secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, o superávit primário das contas do governo central (Tesouro Nacional, INSS e Banco Central), de janeiro a maio, foi de R$ 28,413 bilhões. O superávit primário é o quanto de receita o governo federal, os Estados e os municípios conseguem economizar, após despesas, sem considerar os gastos com os juros da dívida. A meta estimada para o acumulado em agosto é de R$ 30,5 bilhões. ''Estamos na rota de convergência para a meta'', comentou Levy.
Em maio, o resultado do governo central foi um superávit de R$ 3,573 bilhões. Isoladamente, o Tesouro Nacional teve um saldo positivo de R$ 5,378 bilhões. Esse resultado foi, em parte, corroído pelo déficit de R$ 1,779 bilhão registrado nas contas da Previdência Social e por um resultado negativo de R$ 26 milhões no Banco Central.
O governo conseguiu gastar mais no mês de maio, mas o nível das despesas ainda está abaixo do previsto. As despesas do Tesouro, de R$ 19,239 bilhões, aumentaram R$ 839 milhões em relação a abril. Esse aumento se deve, em grande parte, ao incremento nas despesas de custeio e capital, que subiram de R$ 4,893 bilhões em abril para R$ 5,431 bilhões em maio.
Apesar do aumento dos gastos no mês passado, as despesas de custeio e capital de janeiro a maio deste ano estão 5,3% menores do que no mesmo período do ano passado, uma redução no ano de R$ 1,3 bilhão. Essa queda está ocorrendo, principalmente, porque os ministérios não conseguem gastar todos os recursos liberados pelo Tesouro.
Segundo Levy, o ministérios diretamente ligados a ações sociais (Saúde, Educação, Previdência e Assistência Social) já utilizaram 91,5% dos recursos liberados no período. Mas, por outro lado, nos demais ministérios foram utilizados apenas 65,5%. O secretário disse que a expectativa é de uma aceleração do uso dos recursos liberados.
As receitas do governo federal foram de R$ 29,574 bilhões em maio. O Tesouro teve um reforço adicional nas suas receitas com o pagamento de dividendos da Petrobras e Eletrobrás. A Petrobras fez um pagamento de dividendos no valor de R$ 585,5 milhões e a Eletrobras, de R$ 189,4 milhões.
Os dividendos pagos pelas empresas estatais, de janeiro a maio, somam R$ 1,951 bilhão, nível semelhante ao registrado no mesmo período do ano passado (R$ 1,953 bilhão). Até maio, o maior pagamento de dividendos foi feito pela Petrobras, no total de R$ 942,3 milhões, seguida pela Caixa Econômica Federal, que pagou R$ 296,8 milhões. O Banco do Brasil já pagou no ano R$ 163,7 milhões.

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