A partir de 1º de março de 2020, os gastos feitos em moeda estrangeira nos cartões de crédito internacionais terão seu valor fixado em reais pela taxa de conversão vigente no dia da compra. A medida foi anunciada nesta quarta-feira (28) pelo Banco Central. Dessa forma, diz o BC, o cliente ficará sabendo já no dia seguinte quanto vai desembolsar em reais, eliminando a necessidade de eventual ajuste na fatura subsequente. "A medida aumenta a previsibilidade para os clientes em relação ao valor a ser pago, evitando o efeito da variação da cotação da moeda estrangeira entre o dia do gasto e o dia de pagamento da fatura", explicou o BC, em nota.
Além disso, acrescenta o banco, a medida aumenta transparência e a comparabilidade na prestação do serviço, padronizando as informações sobre o histórico das taxas de conversão nas faturas que terão que ser divulgadas em formato de dados abertos, de forma que os rankings de taxas possam ser estruturados e divulgados.
A medida é considerada positiva pelos especialistas em finanças e consumidores. "Vai trazer mais clareza para o orçamento das pessoas, pois você consegue fazer um planejamento de compra em real", diz Dora Ramos, educadora financeira. Mas ela alerta para o perigo do efeito psicológico que a mudança pode trazer. "Com o travamento do câmbio no dia da compra, a pessoa pode se empolgar e perder a mão. É preciso maturidade para não entrar no rotativo."
O professor Ricardo Teixeira, coordenador do MBA em Gestão Financeira da FGV (Fundação Getúlio Vargas), aconselha os consumidores a utilizarem o cartão de crédito apenas para emergências, mesmo com o câmbio travado. "É sempre melhor ter a moeda do seu destino e levar o valor que pretende gastar, assim você não corre o risco de ter gastos atrelados ao câmbio do dia. Mas a medida é altamente positiva."
A química Vanessa Tavanti, 30, evita utilizar o cartão de crédito no exterior em função da flutuação do câmbio e do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Ela leva o dinheiro em espécie. E vai comprando a moeda antecipadamente para fugir do sobe e desce do câmbio. Quando Tavanti precisou usar o cartão internacional, ela não se preocupou. "Simplesmente usei e não fiquei sofrendo. Estava de férias. Depois a gente corre atrás", afirma. Ela aprovou a decisão do BC. "Quem sabe em 2020 a gente não gasta mais no cartão", brinca.

FUNCIONAMENTO

A fatura do cartão terá que apresentar a discriminação de cada gasto na moeda estrangeira e o valor equivalente em reais e as seguintes informações adicionais: data, valor equivalente em dólares (quando a moeda usada na compra for diferente de dólar) e a taxa de conversão do dólar para o real.
De acordo com a circular, as instituições poderão ofertar ao cliente sistemática alternativa de pagamento pelo valor equivalente em reais no dia do pagamento da fatura. Nesse caso, diz a circular, o cliente terá que aceitar "expressamente" essa opção.
"Algumas instituições já oferecem, outras ainda precisam mudar o sistema. O consumidor vai se sentir mais confortável em saber na hora da compra quando ele gastou. É uma medida que facilita a vida do cidadão", diz o presidente do BC, Ilan Goldfajn.
Em nota, a Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartão de Crédito e Serviços) afirma que "o setor de cartões já vinha discutindo com o regulador o aperfeiçoamento na forma de conversão dos gastos feitos com cartão de crédito em moeda estrangeira e entende como positiva a edição da circular." A nota segue dizendo que a medida é "mais uma opção de pagamento ao consumidor, que já tem sido ofertada por alguns emissores. A Abecs manterá diálogo com o regulador para eventuais contribuições do setor à medida, que entrará em vigor em 2020." (Com Agência Brasil)

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