Gastos dos brasileiros no exterior caem 50% em outubro
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sexta-feira, 27 de novembro de 2015
Nelson Bortolin<br> Reportagem Local 
Em outubro, os brasileiros gastaram US$ 1 bilhão no exterior, menos da metade do que gastaram no mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, a queda é de 30%, de US$ 21,6 bilhões para US$ 15,1 bilhões. Os dados são da Nota do Setor Externo, divulgada ontem pelo Banco Central. É a primeira vez, desde 2010, que há queda nos gastos dos brasileiros fora do País (ver quadro).
Já os gastos dos estrangeiros no Brasil somaram U$ 453 milhões em outubro, uma queda de 6% diante dos US$ 483 milhões do mesmo mês de 2014. No acumulado do ano, os estrangeiros gastaram US$ 4,7 bilhões no País contra US$ 5,8 bilhões no mesmo período do ano passado - 19% menos.
Acostumada a levar grupos de turistas brasileiros ao exterior, a sócia-diretora da KTS Turismo, Cristiane Yuri Toma, diz que eles estão voltando bem menos "carregados" das viagens. A oscilação do real perante o dólar e o euro deixa os turistas inseguros. Mas, segundo ela, os brasileiros continuam viajando, graças às promoções de passagens.
Cristiane acaba de chegar de uma viagem para a Escandinávia e Rússia. E diz que os turistas compraram apenas souvenires. "Principalmente na Escandinávia, cujos países têm custos de vida muito alto e uma refeição vai de 30 a 40 euros (entre 119 e 158 reais)", afirma.
Na Albatroz Turismo, a diretora Cristiana Pitol Grassano diz que os turistas estão optando por destinos internacionais que "não envolvam compras" ou por destinos nacionais como alternativa. Ela ressalta que as tarifas internacionais estão "baratas como nunca" numa tentativa de encorajar os viajantes brasileiros que estão assustados com o câmbio. "Uma passagem de ida e volta para Las Vegas, nos Estados Unidos, custa menos de R$ 1 mil", conta.
Os pacotes all inclusive estão tendo bastante procura, segundo Cristiana. "As pessoas estão querendo sair para o exterior tendo pago o máximo de coisas possíveis. Já saem até com ingressos para show da Broadway. Tudo para não ter surpresas com o câmbio ou com o IOF no cartão", afirma.
As viagens internacionais fazem parte da conta de serviços, que também tem dados de receitas e despesas com transportes, seguros, serviços financeiros, aluguel de equipamentos, entre outros. Segundo o chefe adjunto do Departamento Econômico do BC, Fernando Rocha, os serviços são um dos itens da conta total de transações do Brasil com o exterior, que estão apresentando saldo negativo menor este ano. O déficit desse segmento em outubro ficou em US$ 2,799 bilhões, o menor para meses de outubro, na série histórica.
Esse saldo negativo menor das transações com o exterior é influenciado pela alta do dólar, o que torna mais favorável a venda de produtos e oferta de serviços de brasileiros no exterior e mais caro comprar de estrangeiros. De acordo com Rocha, o resultado das transações brasileiras com o exterior também é influenciada pela queda na atividade econômica.
Em outubro, o superávit comercial (exportações maiores que as importações) ficou em US$ 1,879 bilhão, contra o déficit de US$ 1,481 bilhão, registrado em igual mês de 2014. De janeiro a outubro deste ano, o superávit comercial ficou em US$ 10,705 bilhões, ante o saldo negativo de US$ 3,898 bilhões registrados em igual período de 2014.
Na conta de renda primária (lucros e dividendos, pagamentos de juros e salários), o déficit ficou em US$ 3,523 bilhões, em outubro, e em US$ 34,142 bilhões, em dez meses. A conta de renda secundária (renda gerada em uma economia e distribuída para outra, como doações e remessas de dólares, sem contrapartida de serviços ou bens) apresentou resultado positivo, de US$ 277 milhões, no mês, e de US$ 2,047 bilhões, no resultado acumulado. (Com Agência Brasil)


