Rio de Janeiro e São Paulo - Em meio a reiterados discursos oficiais sobre corte de gastos para manutenção da política de austeridade orçamentária, o governo surge nas estatísticas do PIB do segundo trimestre com despesas em alta. O consumo da administração pública aumentou 2,1% no trimestre, em relação aos primeiros três meses do ano, que haviam registrado, em comparação semelhante, alta de 0,8%.
Foi um sinal inverso ao do consumo das famílias que, embora, ainda registrando alta de 0,8%, reduziu o ritmo de crescimento. O diagnóstico para o avanço dos gastos do governo veio rápido na apresentação dos resultados: ''A aceleração no consumo da administração pública é explicada pela época de eleições nas esferas federal e estadual'', disse Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais do IBGE.
A aceleração pré-eleitoral dos gastos públicos pode ser confirmada em períodos anteriores, também de campanha presidencial: em 1998, no primeiro trimestre, o avanço foi de 1,7% e, no segundo, de 2,5%, consolidando a inversão das taxas negativas do ano anterior. Movimentos parecidos ocorreram em 2002 e 2006.
O economista-sênior do BES Investimento, Flávio Serrano, projetava alta de 0,4% para o consumo do governo e se surpreendeu com o resultado. ''Em termos anualizados, esses 2,1% representam uma alta de 8,66%, que é muito forte'', comentou. Segundo ele, não é possível prever com precisão quanto esses gastos devem aumentar ainda.
Para ele, foi o avanço firme das despesas públicas que estimulou o PIB acima do esperado de abril a junho. O resultado da demanda, lembrou ampliou em detalhes o ritmo forte das despesas públicas, já captado de forma parcial a cada mês pela avaliação das contas públicas pelo Tesouro Nacional. Em julho, o superavit primário atingiu 2,03% do PIB no acumulado em 12 meses, o que representou uma queda ante o resultado contabilizado em junho, quando chegou a 2,03% do PIB na mesma base de comparação.
''O governo diz que reduziu os gastos oficiais, mas isso aparentemente não ocorreu. Então, na prática, só resta ao Banco Central realizar o controle do excesso de expansão da demanda agregada que ocorre no mercado doméstico'', disse. Para ele, o Poder Executivo deve registrar um superavit primário de 2,8% do PIB neste ano, sem levar em consideração o desconto de investimentos realizados pelo Programa de Aceleração do Crescimento.

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