A elevação dos gastos dos brasileiros com viagens aéreas beirou os 100% nos últimos dez anos em valores absolutos, o que é explicado em parte pelo aumento de renda da nova classe média. No total, subiu de R$ 24,1 bilhões em 2002 para R$ 48,1 bilhões na previsão para 2012. Em análise do mesmo período, o turismo para famílias de classe média, com renda per capita entre R$ 291 e R$ 1.019, aumentou 277% ao passar de R$ 4,4 bilhões para R$ 16,6 bilhões.
Os números estão em pesquisa divulgada em julho pelo Data Popular, especializado em analisar as classes da base da pirâmide socioeconômica. Para o sócio diretor do instituto Renato Meirelles, a tendência é que o número de pessoas nesta faixa de renda aumente mais e que o crescimento de gastos do setor continue em ascensão, até se aproximar da fatia da alta renda. Em 2002, o grupo com renda per capita mínima de R$ 1.020 usou R$ 17,4 bilhões em viagens, ante R$ 26,4 bilhões em 2012, ou 51,7% a mais.
De acordo com o Data Popular, a oferta de crédito foi a principal responsável pelo o aquecimento do setor. ''Além da população da nova classe média ser superior à da elite e à de baixa renda, esse consumidor sentiu os efeitos da economia nos últimos dez anos, com o aumento dos empregos formais, que possibilitou o acesso ao crédito''. diz Meirelles.
Com mais confiança, as classes populares ganharam a possibilidade de dividir o custo de viagens e pacotes em até dez vezes. ''Geralmente, as pessoas de classe média e baixa optam por mais parcelas para não sobrecarregar o orçamento e as de classe alta muitas vezes pagam à vista ou em três vezes'', diz o diretor do instituto.
O assistente de marketing Julio Cesar de Freitas Filho, da Albatroz Turismo, lembra ainda que a facilidade de informação e a comparação sobre preços, principalmente com a internet, deu mais segurança ao consumidor de classes mais baixas. Tanto que ele não acredita que o momento de moeda brasileira valorizada atrapalhe o setor. ''Hoje é possível saber que compensa fazer compras no exterior, por exemplo. A pessoa pode reduzir um pouco o período de permanência, mas viaja da mesma forma.''
Supervisora de vendas da CVC em Londrina, Daiane Souza diz ainda que o brasileiro aprendeu a se programar, por causa da estabilidade econômica. ''A preocupação costumava ser comprar casa, carro, pagar o estudo dos filhos, mas com a facilidade de financiamentos, sobra mais renda e é possível viajar mais'', afirma.
Formas de pagamento
Com preferências e possibilidades financeiras diferentes, as classes mais populares levaram à criação de novas formas de pagamento. Daiane, da CVC, afirma que há pacotes parcelados em dez vezes e até em 12. Outra questão apontada pela consultora Charlene Azevedo, da agência Companhia de Viagens, é que os clientes de menor renda costumam rejeitar o cartão de crédito na hora de financiar as férias. ''Há quatro anos há a chance de pagar em dez vezes por boleto bancário por preferência da classe média.''
Charlene, que está para concluir a faculdade de administração, percebeu que o crescimento do setor causou problemas para se encontrar funcionários. ''Na minha monografia de conclusão de curso, percebi a falta de mão de obra qualificada nos últimos anos no turismo'', conta.

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