Enquanto os indicadores de aumento de gastos com a compra de bens sinalizam uma melhoria de bem-estar, essa interpretação pode não ser válida no caso da saúde e da educação. As famílias, em geral, empenhavam 10% do orçamento com saúde e educação em 1988. Em 2003, essa fatia aumentou para 13,3%. Apenas os 10% mais pobres gastaram ligeiramente menos com esses serviços no período, de 8,4% para 8,3%. Houve ampliação de gastos para todas as camadas de renda nessas duas despesas. ''A estabilização e as dificuldades do governo em garantir serviços de saúde e educação provocaram mudanças nos padrões de gastos das famílias.''
De outro lado, entidades ligadas às escolas e aos planos de saúde atribuem o aumento dos gastos das famílias à majoração dos preços desses serviços. ''Não tem aumentado o número de usuários dos planos médicos'', afirma o presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), Arlindo de Almeida. Hoje o setor tem 36 milhões de usuários nos planos médicos.
Segundo Almeida, o crescimento das despesas do consumidor ocorreu por causa dos reajustes que, nos últimos três anos, superaram a inflação. ''Os custos aumentaram por conta da evolução tecnológica, novos medicamentos e envelhecimento da população'', diz.
A história se repete nas escolas particulares, que teve aumento das mensalidades superiores à inflação nos últimos anos. (M.C.)

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