Gastos com beleza crescem 124% no País
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segunda-feira, 24 de junho de 2013
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - Os gastos com beleza que incluem compra de cosméticos, produtos de higiene pessoal e serviços têm crescido de maneira vertiginosa no Brasil. Nos últimos dez anos, o montante gasto com este setor saltou de R$ 26,5 bilhões em 2003 para a estimativa de R$ 59,3 bilhões neste ano, o que significa um aumento de 124%. E, quase a metade do total previsto para este ano (47,4%) deve ser desembolsada pela classe média. A classe alta responderá por 34,2% e a classe baixa por 18,4%. Um dos principais motivos para isso é o aumento da presença da mulher no mercado de trabalho. Os dados fazem parte de um levantamento realizado pelo Instituto Data Popular.
''Nossas pesquisas demonstram que o aumento de mulheres no mercado de trabalho influenciou diretamente no consumo de produtos e serviços de beleza. Enquanto a mulher trabalhava apenas em casa não havia esta grande preocupação com a aparência, mas mudando de cenário, a tendência é se adequar às exigências do local para ser aceita e incluída naquele ambiente'', disse o sócio diretor do Data Popular, Renato Meirelles.
Uma das empresas que apresentou crescimento junto com o mercado foi a Natura. Nos últimos dez anos, a companhia cresceu cerca de 12% a 15% por ano, segundo o gerente de marketing da regional Sul da empresa, Edimilson Miguel de Faria. De acordo com ele, a linha de maquiagem ainda cresce acima do desempenho médio da própria empresa devido aos investimentos que foram realizados em lançamentos.
Segundo ele, o Brasil é um dos países que mais vende perfumes no mundo. Hoje, o mercado lança cerca de mil novos itens do gênero por ano. E, atualmente, de cada R$ 100 vendidos em perfumes, R$ 45 são da Natura, conforme dados da marca. E para atender todos os tipos de público, a empresa lançou produtos com preços diferentes para as mais diversas classes sociais.
''A Natura não sentiu a crise'', disse Faria. Para ele, a presença maior da mulher no mercado de trabalho foi um fator socioeconômico importante para aumentar as vendas do setor nos últimos anos. Segundo o gerente da Natura, 50% das vendas da marca são de perfumaria e o restante se divide entre produtos para o corpo e maquiagem. Faria ainda acrescenta que os habitantes do Sul do País são os que mais cuidam da pele com produtos para o corpo e rosto.
O diretor de marketing da marca de cosméticos Beauty Color, Amauri Daguano, confirma que a elevação das vendas do setor foi influenciada pelo aumento da classe média e pela participação maior da mulher no mercado de trabalho. ''Hoje muitas mulheres são chefes de família'', destacou. Mesmo as que não contribuem com a maior parte dos recursos da família, segundo ele, têm força no poder de decisão do orçamento. Com isso, passaram a frequentar mais o salão de beleza ou comprar produtos para utilizar em casa.
Uma pesquisa interna realizada pela Beauty Color apontou que os produtos de beleza são o 12º item a ser cortado dentro do orçamento doméstico. ''Em um momento de crise econômica, a mulher corta os gastos com pizza ou restaurante, mas não vai sair de casa com a raiz do cabelo branca'', declarou. Também não deixa de lado, segundo o levantamento da empresa, as compras de itens como esmalte e batom.
A Beauty Color está no mercado desde 1989 e tem fábrica em Pinhais. Produz coloração, esmaltes e maquiagem. A projeção de crescimento para o 1º semestre deste ano é de 60% devido ao aumento do número de clientes no Brasil todo. Além disso, a marca investiu em reestruturação do parque fabril. Outro motivo que deve levar ao aumento do faturamento foi a profissionalização pela qual a empresa passou. Em coloração, a marca tem 5% do mercado brasileiro e, em esmaltes, 3%. Em 2012, o crescimento de vendas foi de 9%. Para 2013, a projeção de crescimento é de 38%. ''O setor de beleza é um mercado que não tem crise porque junto com os produtos vende autoestima, beleza e praticidade'', disse.



