O gasto médio mensal do consumidor brasileiro com alimentos, bebidas, higiene e limpeza mais que dobrou entre 2002 e 2011. O crescimento foi de 158% no período, saltando de R$ 83,28 para R$ 215,15, conforme pesquisa da Kantar Worldpanel, empresa especializada em conhecimento do consumidor. No mesmo período, o perfil do consumidor que vai às compras também mudou.
A gerente de Marketing e Comunicação da empresa, Patrícia Menezes, explica que, com a melhora da economia, verificada entre 2005 e 2007, o brasileiro ficou com o bolso mais cheio e com mais opção de acesso aos produtos. Além do aumento do poder de compra do consumidor, ela cita que a ascensão dos índices de empregabilidade e as medidas de inclusão social do governo, por meio do Bolsa Família, por exemplo, favoreceram o aumento do gasto médio mensal do brasileiro.
As categorias que têm apelo de sofisticação e praticidade se destacaram no crescimento expressivo apontado pela pesquisa. Entre os produtos de sofisticação estão fralda descartável, detergente líquido para roupa, sobremesa pronta, tempero pronto, deo colônia e tinturas para cabelo. Com referência à praticidade, entram na cesta: suco pronto para beber, bebida à base de soja, iogurte, refrigerante e leite aromatizado, por exemplo. ''Querer fazer tudo mais rápido na vida virou uma realidade do consumidor'', reitera.
Assim como o consumo brasileiro passou pelo efeito da sofisticação, os canais de compra também sofreram essa mudança. Avaliando a evolução de crescimento, novas opções têm importância maior no bolso do brasileiro. Compõem esses ''outros canais'' as lojas especializadas, lojas de departamento e também a internet. A compras já não estão mais concentradas apenas em supermercados, hipermercados e varejo tradicional.
O estudo indica que entre 2008 e 2010, os hipermercados receberam mais consumidores das classes A e B, com o índice passando de 39% para 51%. A classe C manteve em 40% a participação nas compras em supermercados, enquanto as classes D e E aumentou sua participação no varejo tradicional de 39% para 47% no período analisado.
''Com a evolução do tempo, vemos uma mudança de perfil e da infidelidade do consumidor'', relata Patrícia. Com tanta opção à sua volta, ele vem se tornando cada vez mais um consumidor mixador, mais preocupado com a relação custo/benefício e não apenas com o preço.
Ainda conforme a pesquisa, entre 2002 e 2011, o brasileiro aumentou a frequência de ida ao ponto de venda de 8 para 15 vezes ao mês e o dia de compra variou um pouco, mantendo a concentração entre os dias 1º e 10 de cada mês. O consumidor manteve o número de vezes que vai ao ponto de venda, neste ano, porém, teve um desembolso maior devido ao peso da inflação. Entre abril de 2010 e 2011, as vendas em valor registraram alta de 14%.
Patrícia observa que o País ainda está vivendo um momento de mudanças, aproveitando a boa fase da economia, no entanto, no primeiro semestre deste ano o consumo começou a desacelerar e já impacta a cesta de produtos. ''O consumo não caiu, mas desacelerou em função dos preços que estão mais altos quando comparados ao mesmo período de 2010''. De acordo com ela, a alta dos preços impacta mais o bolso dos brasileiros que a crise financeira. ''Há um grande ponto de interrogação para o consumo porque não sabemos o quanto seremos impactados pelos Estados Unidos'', acrescenta.

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