Brasília - As despesas na conta de viagens internacionais (quanto os brasileiros gastaram no exterior) em janeiro cresceram 60% ante janeiro de 2007 e atingiram o maior valor da série histórica do Banco Central, de US$ 975 milhões, segundo os números divulgados ontem pelo chefe do Departamento Econômico, Altamir Lopes.
Ao mesmo tempo, as receitas, obtidas com viagens de estrangeiros ao Brasil, também foram recorde e somaram US$ 595 milhões, uma alta de 23% em relação a janeiro do ano passado. Com este desempenho, a conta de viagens teve déficit de US$ 380 milhões, atingindo o maior nível desde janeiro de 1996, quando registrou déficit de US$ 382 milhões.
Altamir explicou que o crescimento das despesas reflete a apreciação da taxa de câmbio e o aumento da renda interna, mas destacou o avanço das receitas, que, segundo ele, mostra uma nova estrutura de turismo no Brasil. Ele lembrou que em outras épocas de valorização cambial, as despesas subiam, mas as receitas iam na direção contrária.
As receitas e as despesas acumuladas em 12 meses encerrados em janeiro atingiram também valores recordes de, respectivamente, US$ 5,063 bilhões e US$ 8,612 bilhões. Com isso, o déficit acumulado em 12 meses até janeiro alcançou US$ 3,549 bilhões, o mais alto desde fevereiro de 1999.
O chefe do Depec informou que em fevereiro até hoje a conta de viagens registra déficit de US$ 256 milhões, com receitas de US$ 381 milhões e despesas de US$ 637 milhões.
Reservas
Dados do setor externo divulgados ontem pelo Banco Central mostram que o fato de o Brasil ter se tornado credor externo líquido em janeiro pode ser atribuído muito mais ao aumento das reservas e dos ativos de bancos no exterior que à própria queda da dívida externa. No mês passado, a posição credora do Brasil no exterior era de US$ 6,983 bilhões. Em dezembro, o País era devedor em US$ 4,343 bilhões.

mockup