Gasto com previdência chega a 11,7% do PIB
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de setembro de 2007
Irany Tereza<br>Agência Estado 
Levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que as despesas anuais com aposentadorias e pensões consomem 11,7% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Deste porcentual, sete pontos vêm do INSS e os quase cinco restantes, do serviço público. O estudo, que compara de forma equalizada e inédita 49 países, comprova que o Brasil está no topo da lista dos maiores gastadores com previdência social. Embora seja um país de população mais jovem e mais pobre, tem despesas maiores do que Itália, Alemanha, Suécia e outros países desenvolvidos. ''O Brasil é um país emergente com gasto de rico'' conclui o pesquisador Marcelo Abi-Ramia Caetano, que divide a autoria do estudo com Rogério Miranda.
O ranking foi inicialmente feito com 113 países e o Brasil ocupou a 14 posição na relação entre os gastos previdenciários e PIB, em termos absolutos. Por causa de eventuais distorções, provocadas por características diversas entre os países - como alíquota de contribuição cobrada, exigência ou não de idade mínima para aposentadoria etc - os pesquisadores utilizaram uma fórmula de cálculo que eliminou as diferenças.
A amostra acabou reduzida a pouco mais do que a metade, devido à falta de disponibilidade de dados em todos os quesitos para todos os países. ''A posição mais elevada no ranking indica tão-somente que o país gasta muito, dadas as diversas variáveis utilizadas para a análise'', explica Caetano no documento. Neste novo ranking, o Brasil subiu para o quarto lugar entre os maiores gastadores, atrás apenas de Uruguai, Suíça e Nigéria, países conhecidos pela pesada carga fiscal imposta pela previdência.
Poderia ser uma boa notícia, um sinal de abrangência e evolução do sistema previdenciário brasileiro. Mas, ao contrário, expõe uma situação na qual as despesas não são condizentes com a realidade do país. ''Usamos um sistema semelhante ao do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano)'', diz Caetano, referindo-se à medida padronizada pela qual o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento avalia o bem-estar das populações dos diversos países. ''Da mesma forma que o PIB não é a única variável relevante para o cálculo do IDH, não quisemos limitar a avaliação das despesas com previdência apenas a quanto cada país gasta neste setor'', diz ele.
O estudo mostra que o Brasil está fora do padrão internacional. A relação entre aposentadoria e renda per capita, por exemplo, ocupa a mediana internacional de 48,5%. Ou seja, aposentados e pensionistas ganham pouco menos da metade do que recebiam na vida ativa. No Brasil, esta relação está mais de dez pontos acima, em quase 60% (59,4%), provavelmente puxadas por aposentadorias integrais de servidores públicos.


