Kátia Baggio e
Cláudia Lopes
De Londrina
As contas com combustíveis têm assustado os consumidores, que viram seus gastos aumentar 50% desde o início do ano. Em Londrina, desde o último reajuste dos combustíveis em 8%, no início de agosto, o litro da gasolina tem sido vendido por R$ 1,35 para pagamentos à vista, na maioria dos postos do município. O álcool apresenta variação um pouco maior, segundo consulta feita pela Folha ontem, por telefone, em dez estabelecimentos. Os preços giram de R$ 0,54 a R$ 0,69. No caso do diesel, o valor mais comum é de R$ 0,60 por litro.
Quem resolve fazer pesquisapara economizar não se arrepende. O soldador Alvenário de Souza sai do conjunto Maria Cecília, zona norte, para abastecer no outro extremo da cidade. ‘‘Para tudo o que a gente compra é preciso buscar o mais barato’’, recomenda.
Dos dez postos pesquisados pela Folha, quatro estão vendendo o litro da gasolina comum mais barato: Auto Posto HP (R$ 1,29), Auto Posto Carajás (R$ 1,29), Posto Triângulo (R$ 1,28) e Posto Universitário (R$ 1,30). O valor do diesel está mais em conta no Carajás (R$ 0,579) e Auto Posto HP (R$ 0,599). ‘‘É uma diferença pequena em relação à maioria dos concorrentes, mas suficiente para atrair a clientela’’, afirma o gerente Antonio Carlos Sanches.
Mas mesmo com o aumento nos preços, o consumidor não se retraiu, segundo os empresários do setor. A queda no consumo é considerada quase insignificante para a maioria. ‘‘A população diminui o consumo nos primeiros trinta dias, depois se adapta porque o veículo é uma necessidade’’, constata o caixa do Posto Samuara, na rua Maringá, Luis Carlos Silva. Os postos que vendem os produtos a prazo aceitam cartão de crédito ou cheque para 15 e 30 dias e, nesse caso o acréscimo é de R$ 0,10 a 0,12 centavos por litro, em média.
Proprietária de uma pizzaria, Cíntia Crispim disse que não faz cotação de preço por falta de tempo mas já contabilizou um aumento de R$ 30,00 por semana no custo com combustível. As entregas em seu estabelecimento são feitas de carro. Ela diz que repassou esse custo para a taxa de entrega, antes de R$ 0,50. ‘‘Agora levamos em consideração a distância e cobramos de R$ 1,00 a até R$ 1,50’’.
A advogada Celina Cansian admite que ainda não fez as contas para saber quanto vai custar, no orçamento mensal, abastecer os três carros da família. Ela pagou R$ 78,97 por 58 litros de gasolina. Seu carro é tem capacidade para 75 litros de combustível. A consumidora diz que pensa em reorganizar os horários das atividades escolares e de lazer dos filhos, para economizar combustível.
Para encher o tanque de um Fusca, o eletricista de autos, Antonio José França, também pagou R$ 1,35 por litro. Ele faz o trajeto Cambé-Londrina várias vezes por dia, procurando peças para veículos, e calcula um aumento de até R$ 80,00 por mês no custo com combustível. França argumenta que não tem tempo para procurar preços mais baixos. ‘‘Como não é possível converter o Fusca para usar álcool, estou pensando em comprar uma moto, apesar de achar perigoso’’.
O preço do gás de cozinha também varia. O botijão de 13 kg é vendido a R$ 17,00 para quem busca o produto na revendedora e R$ 18,00 para entrega em casa. Esse preço vale para as revendedoras mais centrais. Na região dos Cinco Conjuntos, zona norte, o produto custa R$ 0,50 menos. ‘‘A concorrência é grande por aqui, além disso o poder aquisitivo da população é menor’’, declara Leonilso Jaqueta, da Jaqueta Gás, que fica no conjunto Luís de Sá.

mockup