O porcentual de álcool anidro misturado à gasolina, que desde agosto caiu para 20%, deverá voltar a ser de 24% a partir de maio, quando começa a colheita da safra de cana-de-açúcar. A informação foi dada ontem pelo ministro da Agricultura, Pratini de Moraes. A Secretaria de Produção e Comercialização fará uma reavaliação da safra de cana da região da Centro-Sul e dos estoques de álcool do governo e enviará os dados para análise pelo Conselho Interministerial do Álcool (Cima).
O governo justifica a medida pelo fato de haver álcool suficiente no mercado e que os preços estão equilibrados, mas segundo especialistas, um dos efeitos do aumento da mistura será a redução da importação de gasolina. Além disso, como o álcool é mais barato que a gasolina, haverá menor pressão sobre o preço do combustível, que está pressionado pela alta da cotação do dólar. Descontando os impostos (ICMS e PIS/Cofins), a gasolina é 15% mais cara que o álcool anidro.
Pratini afirmou que a expectativa do governo, ao sinalizar desde já com o aumento do consumo, é incentivar a produção de álcool combustível. Com isso, haverá menor produção de açúcar, o que irá contribuir para uma recuperação dos preços desta commodity no mercado internacional. As declarações do ministro foram concedidas na solenidade de posse do novo diretor do Departamento de Defesa Animal, Paulo Lourenço da Silva, que irá substituir no cargo o técnico Hamilton Farias.
A redução da mistura de álcool anidro na foi aprovada em agosto pelo Cima, órgão formado pelos Ministérios da Agricultura, Fazenda, Desenvolvimento e Minas e Energia, que delibera sobre a política do setor sucroalcooleiro. O objetivo era economizar 450 milhões de litros de álcool no ano passado. Em junho de 1998, o porcentual da mistura havia sido elevado de 22% para 24%.
Com menos álcool na gasolina, o governo queria reduzir a alta do preço final do produto, que havia aumentado de forma significativa no final de julho, especialmente em São Paulo. Havia uma tendência de alta dos preços da gasolina e do álcool, em virtude da quebra de safra de cana-de-açúcar da região Centro-Sul. Essa quebra, estimada em cerca de 20%, foi motivada pela seca prolongada seguida de geadas.

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