Rio de Janeiro – A Petrobras anunciou ontem um aumento de 10,08% no preço da gasolina vendida na porta das suas refinarias, válido a partir de sábado. Foi o terceiro aumento concedido pela empresa no intervalo de um mês.
De acordo com cálculos da Fecombustíveis, a federação nacional dos postos de abastecimento, o novo reajuste ao consumidor deverá ficar entre 7% e 8%, dependendo do Estado.
A Petrobras anunciou também ontem que, nos próximos 90 dias, reajustará seus preços a cada 15 dias sempre que a média dos preços internacionais oscilar mais de 5%, para cima ou para baixo.

Os três reajustes concedidos desde março – 2,21%, 9,39% e 10,08% –, acumulados, alcançam 23,08%, praticamente o mesmo que os 25% de redução concedidos no dia 2 de janeiro, quando os preços foram liberados.
Mas, como os aumentos incidiram sobre 75% do preço de dezembro, a estatal informou que o preço da gasolina que ela vende às distribuidoras de combustíveis ainda está 7,22% menor do que o de dezembro.
Em nota, a Petrobras informou que o reajuste anunciado ontem decorre de uma alta do preço médio da gasolina, nos principais mercados internacionais, entre 21,70% e 23,53%, em relação ao preço médio da quinzena que antecedeu o anúncio do último reajuste de 9,39%.
O gerente Executivo de Marketing e Comercialização da estatal, Carlos Nei Martins de Andrade, disse que o reajuste foi atenuado pelo fato de o real ter-se valorizado em relação ao dólar.
Para os cofres da estatal, o preço da gasolina estará aumentando 22% a partir de sábado, embora para as distribuidoras a alta seja de 10,08%.
Isso ocorre porque o imposto federal sobre a gasolina, a Cide (Contribuição sobre Intervenção no Domínio Econômico), tem um valor fixo de R$ 0,5011 por litro. O reajuste é calculado sobre a soma do valor da Cide mais o valor que era recebido pela Petrobras (R$ 0,413, aproximadamente).
Só que a alta de R$ 0,093 por litro que resulta da aplicação dos 10,08% sobre essa soma vai toda para a estatal, permanecendo a Cide com o mesmo valor anterior.
A partir de sábado, o preço do litro de gasolina às distribuidoras passa de R$ 0,914 para R$ 1,007, aproximadamente. A parte da Petrobras passa de R$ 0,413 para 0,506, aproximadamente.
Para não ser obrigada a reajustar seus preços a cada oscilação do mercado, a Petrobras decidiu adotar para a gasolina um gatilho quinzenal semelhante ao que já havia adotado para o óleo diesel.
A empresa vai esperar 15 dias a partir do último reajuste anunciado. No final do prazo, calcula a variação internacional do preço do produto, com base na cotação do Golfo do México (EUA), convertida para reais. Sempre que essa variação for superior a 5%, para cima ou para baixo, a estatal fará o reajuste correspondente.

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