Gasolina sofre reajuste de 4% com alta do dólar
Câmbio elevado também beneficia exportação de produtos, como commodities
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quinta-feira, 28 de novembro de 2019
Câmbio elevado também beneficia exportação de produtos, como commodities
Mie Francine Chiba - Grupo Folha 
O mercado de câmbio teve novo dia de nervosismo e o dólar chegou a ser negociado a R$ 4,27, na máxima do dia. Os ânimos dos investidores só se acalmaram após o Banco Central fazer um novo leilão surpresa de dólar à vista, o terceiro desde terça-feira (26). Após a venda da moeda, em volume não revelado, as cotações da divisa americana se acomodaram na casa dos R$ 4,25. No fechamento, o dólar à vista teve o terceiro dia seguido de valorização e subiu mais 0,44%, a R$ 4,2586, novo recorde do Plano Real.

Na véspera, a cotação da moeda subiu 0,61%, a R$ 4,2410. Declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, sinalizando que o câmbio de equilíbrio tende a alcançar patamares ainda mais elevados, e a expectativa em torno dos desdobramentos da guerra comercial entre Estados Unidos e China influenciaram o mercado.
Com a valorização do dólar, a Petrobras anunciou ao mercado o reajuste de 4% da gasolina, que passou a valer no mesmo dia. O preço do óleo diesel permanece inalterado.
O aumento vale para o combustível vendido nas refinarias para os distribuidores, ou seja, os postos de gasolina. O valor final que o motorista pagará para abastecer o carro dependerá de cada posto.
A Petrobras só informa porcentual de reajuste. De acordo com fonte, a revisão foi de R$ 0,074 mais caro. Com essa alta, o valor de entrega passa a variar de R$ 1,750 em Goiás a R$ 2,312 no Rio de Janeiro.
Segundo Jacques Henrique Dias, professor do Departamento de Economia da UEL (Universidade Estadual de Londrina) e delegado do Corecon PR (Conselho Regional de Economia do Paraná), a alta do dólar terá impactos tanto positivos quanto negativos na economia.
Ganha com o câmbio elevado o agronegócio, com a exportação das commodities. “Para quem exporta, com o dólar mais caro, nossos produtos ficam mais baratos e ganham competitividade”, explica o professor.
De forma geral, o preço do dólar pode ser positivo para as exportações, mas negativo para as importações. A importação de alguns insumos utilizados na produção agrícola pode ser prejudicada, refletindo no preço das commodities. Também pode ser afetada a importação de máquinas e equipamentos para a indústria.
Nesse fim de ano, os produtos importados mais caros também vão impactar na ceia de Natal, na compra de presentes, especialmente de eletrônicos, e nas viagens internacionais, lembra Dias. (Com agências)
'AUMENTOS DA GASOLINA PREJUDICAM TODA ECONOMIA'
Em nota enviada pela assessoria de imprensa, o Sindicombustíveis-PR (Sindicato dos Revendedores de Combustíveis e Lojas de Conveniências do Estado do Paraná) afirma que, de acordo com informações do mercado, a maioria das grandes distribuidoras já realizou aumentos, que têm sido repassados aos postos de combustíveis com “grande agilidade”.
“O Sindicombustíveis-PR é contrário a esta série de aumentos promovidos pela Petrobras. Preços mais altos prejudicam toda a economia, comprometendo a retomada do crescimento do País. Somente em novembro de 2019, com dois aumentos seguidos, o preço da gasolina nas refinarias de Petrobras já subiu 7%”, diz a nota.
Jacques Dias, do Corecon PR, lembra que o preço da gasolina tem impacto sobre o custo de diversos outros produtos. “A gasolina é um preço importante porque vários outros preços são definidos a partir disso.”
Aviação
O dólar também tem impacto sobre o querosene de aviação (QAV) e outros itens, como a manutenção e o arrendamento de aeronaves. A Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) afirma que a moeda “indexa mais da metade dos custos do setor”.
“Só o QAV corresponde a uma parcela de até 30% do custo de uma empresa aérea e chega a ser até 40% mais caro do que a média global, influenciado também pelo preço do barril do petróleo e pela precificação da Petrobras estabelecida na década de 90, quando o país mais importava do que produzia esse insumo”, diz nota da Associação. Para a Abear, entretanto, ainda é cedo, no entanto, para avaliar com mais profundidade o reflexo da “escalada” da cotação do dólar.


