Curitiba - O motorista que foi abastecer o carro neste final de semana em Curitiba se deparou com preços mais caros. Até a última sexta-feira, grande parte dos postos da Capital vendia o litro da gasolina por R$ 2,09. No sábado, muitos revendedores começaram a comercializar o produto por R$ 2,59. Com isso, o consumidor passou a gastar R$ 0,50 a mais por litro. Os preços permaneceram em um patamar irreal nas últimas três semanas e, segundo o Sindicombustíveis-PR - sindicato que representa os postos - o reajuste teria sido repassado pelas distribuidoras de combustíveis.
''Agora os preços voltaram ao normal. Os preços não tinham nenhuma consistência técnica'', disse. Fregonese explicou que em janeiro ocorre uma redução de consumo em função das férias. Além disso, algumas distribuidoras têm liminares na Justiça para não recolherem o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). ''Isso tudo provoca redução nos preços'', afirmou. Alguns postos chegaram a vender gasolina e álcool R$ 0,25 abaixo do preço de custo. ''Ninguém suporta perder dinheiro por um longo período de tempo'', disse. Segundo ele, a recuperação de preços acaba acontecendo quando o mercado fica aquecido, ou seja, com a volta às aulas e o carnaval, feriado no qual grande parte da população enche o tanque do carro para viajar. ''Esses dois fatos juntos provocam este tipo de reação'', afirmou.
De acordo com o sindicalista, antes do aumento havia postos vendendo a gasolina por um preço mínimo de R$ 1,84. Na semana passada, a gasolina era vendida, em média, por R$ 2,21 com margem de lucro média dos postos de R$ 0,13, segundo dados coletados e divulgados pela Agência Nacional de Petróleo (ANP). Ele não descarta uma nova queda de preços. ''Tudo é possível. Qualquer fraude que aconteça no mercado, qualquer distribuidora que baixe os preços, as outras acompanham. Ninguém deixa mercado para o outro'', destacou.
O álcool também passou a pesar mais no bolso do consumidor. Na semana passada, o produto era vendido, em média, por R$ 1,42 com margem de lucro média por parte dos postos de R$ 0,14, segundo informações da ANP. De acordo com Fregonese, o preço de custo na distribuidora saltou de R$ 1,28 para R$ 1,35. Neste final de semana, grande parte dos postos passou a vender o produto por R$ 1,69. A alta por litro variou de R$ 0,10 a R$ 0,30.
O vice-presidente executivo do Sindicato Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Alísio Vaz, disse que a entidade não tem ingerência ou acompanhamento sobre os preços praticados pelas distribuidoras. No entanto, afirmou que o preço de R$ 2,09 para a gasolina era o mais barato do Brasil. ''Era um preço irreal, sem sustenção nenhuma e que implicava em prejuízo. Aparentemente, houve uma reacomodação de preços'', disse. Mas, ele deixou claro que os preços dependem da política comercial de cada empresa. Vaz disse ainda que a competição tende a nivelar os preços.
A Petrobras Distribuidora foi procurada pela reportagem mas não deu retorno até o fechamento desta edição. A Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga informou que não tem o hábito de falar sobre preço porque o mercado é livre e por existir um sindicato que representa a categoria.
Londrina- Em Londrina não há previsão de reajuste no preço dos combustíveis. Segundo o proprietário do Posto Carajá, Emílio Sérgio Santaella, por enquanto os valores deverão permanecer os mesmos. ''As distribuidoras não avisaram nada pra gente. Lá (Curitiba) provavelmente estava uma guerra entre os postos e, então, resolveram voltar os preços normais'', comentou. No estabelecimento, o litro da gasolina está sendo vendida por R$ 2,51, desde novembro.
O gerente do Posto Via Lago, Ricardo Moreira, também informou que não tem nenhum reajuste previsto na cidade. ''Os distribuidores não falaram nada, até porque lá é uma praça e aqui é outra'', disse. No posto, o preço da gasolina é o mesmo há mais de quatro meses: R$ 2,54. (Colaborou Erika Zanon)

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