Gasolina sobe até 8% nas bombas amanhã. Correção será trimestral
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quarta-feira, 22 de novembro de 2000
Agência Estado De Brasília 
Os preços da gasolina, óleo diesel, querosene de aviação e gás de cozinha ficarão 11% mais caros nas refinarias a partir desta quinta-feira. O governo estima que o aumento médio seja de 8% nas bombas para a gasolina e o diesel. Para o botijão de 13 quilos do gás de cozinha, o reajuste deve ser de cerca de 5% para os consumidores. Aumentos na bomba superiores aos indicados são despropositados, disse o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Amaury Bier. Esse é o terceiro reajuste do ano para a gasolina, acumulando alta de 36,58% na refinaria e de 25,87% na bomba.
Juntamente com os índices de reajuste, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, anunciou que, a partir de abril de 2001, o governo deverá ajustar, a cada três meses e sempre no quinto dia útil de cada início de trimestre, o preço dos combustíveis de acordo com a oscilação da cotação do barril do petróleo no mercado externo e da taxa de câmbio. Para isso, estabeleceu um preço de referência que será usado para fazer aumento ou redução dos preços dos combustíveis.
O preço de referência de R$ 55,00, que será usado pelo governo apenas no ano que vem segundo Malan, foi obtido por meio de cálculos que levam em consideração quanto o governo tem de pagar pelo petróleo. Isso acontecerá se, por exemplo, a taxa de câmbio for de R$ 2,00 por dólar americano e o preço do barril de petróleo for, em média, de US$ 27,50.
Caso o nível de referência ultrapasse os R$ 55,00 estabelecidos, a equipe econômica terá prerrogativa de decidir para quais derivados vai estabelecer um reajuste e se vai aumentar em parte ou no todo. Levando em consideração a cotação do barril de petróleo e do dólar ontem, essa média já está em R$ 65,28 seria necessário reajuste máximo de 18,69%, o que ainda não está sendo considerado pelo governo porque a medida só entrará em vigor no próximo ano.
No entanto, as perspectivas para 2001 são as de que o preço efetivo de compra do petróleo esteja abaixo do preço de referência. Assim, afirmou Bier, é possível que os donos de carro movidos à gasolina paguem mais barato para abastecer. Os derivados que hoje não têm subsídio, neste caso a gasolina, sempre terão redução, disse Bier.
Mas isso, não necessariamente, acontecerá para os derivados que recebem subsídio, como o gás de cozinha. Amaury Bier afirmou que esse novo sistema não representa a volta da indexação de preços, e sim fazer ajustes para a abertura do mercado em dezembro de 2001.
Novembro era o melhor momento para o governo conceder o aumento dos combustíveis para manter a inflação dentro da meta de 6% estabelecida para este ano. O impacto desse reajuste nos índices inflacionários poderá ser absorvido até o fim de dezembro, sem que haja perigo de comprometer a meta de inflação de 4% para 2001. De acordo com estimativas do governo, o impacto do reajuste anunciado ontem é da ordem de 0,44 pontos porcentuais no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPC-A), que mede a inflação para as metas acertadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI).


