Os motoristas de Londrina que têm veículo a gasolina convivem com preços diferentes cada vez que encostam o carro num posto para abastecer. Os valores vêm sendo alterados de R$ 0, 01 a R$ 0,02 duas ou três vezes por semana, desde o início do mês. Hoje, chegam perto de R$ 1,60 o litro, contra R$ 1,35 praticados há pouco mais de 20 dias.
‘‘O preço de R$ 1,35 era inviável. O que acontecia em Londrina era que as distribuidoras subsidiavam o combustível para poder concorrer. Agora, estão retirando esse subsídio’’, justifica o dono do posto Carajás (Bandeira Branca), Emílio Santaella. Ele vende a gasolina a R$ 1,58. ‘‘Estamos acompanhando o preço de outros postos da cidade’’, acrescenta. Segundo ele, os empresários do setor trabalhavam no vermelho desde fevereiro, quando se acirrou a concorrência entre os postos.
A sócia-proprietária do Posto Samuara (Ipiranga), Rosângela Pires, diz que o preço ideal para a manutenção do estabelecimento seria de R$ 1,65 o litro de gasolina. ‘‘Vendíamos a R$ 1,35 porque a companhia subsidiava. Caso contrário, não teríamos suportado a concorrência’’, diz ela. Rosângela ressalta que o combustível não está sendo reajustado. ‘‘Apenas estamos retirando o preço promocional.’’ No Samuara, o litro de gasolina é vendido a R$ 1,57. ‘‘Com isso, estamos alinhando nossos preços com o resto do Estado e do País’’, sustenta. Em Maringá, os postos cobram entre R$ 1,58 a R$ 1,60 pelo litro de gasolina Em Curitiba, a média está em torno de R$ 1,54.
No Posto Duim (com bandeira BR), o proprietário Oswaldo Duim admite que os preços subiram gradativamente nos últimos dias. ‘‘Só estamos repassando os preços cobrados pela distribuidora’’, afirma. Segundo ele, com o fim dos preços promocionais, a margem de lucro que chegou a R$ 0,5 está em R$ 0,15.
Os consumidores estranham os constantes aumentos nas bombas. ‘‘Todos os dias tem preço diferente. É um absurdo’’, reclama a estudante Alexandra Silva da Costa. Ela abastece o carro de duas a três vezes por semana. ‘‘Com a gasolina subindo e o salário parado, daqui a pouco vou ter que deixar o carro na garagem’’, comenta.
Mas nem todos os consumidores criticam os preços. O gerente de banco Valdecir Teodoro acha pior os prejuízos causados pela gasolina de baixa qualidade. ‘‘Com os preços dentro da realidade, poderemos ter um combustível de melhor qualidade’’, diz ele.
O diretor do Sindicombustíveis, em Londrina, Valter Sasso, se negou a dar entrevista à Folha. Ele não comentou os preços praticados na cidade e nem quis falar sobre o fim dos preços promocionais.

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