Gasolina sobe a 'conta-gotas' em Londrina
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terça-feira, 26 de junho de 2001
Benê BianchiDe Londrina 
Os motoristas de Londrina que têm veículo a gasolina convivem com preços diferentes cada vez que encostam o carro num posto para abastecer. Os valores vêm sendo alterados de R$ 0, 01 a R$ 0,02 duas ou três vezes por semana, desde o início do mês. Hoje, chegam perto de R$ 1,60 o litro, contra R$ 1,35 praticados há pouco mais de 20 dias.
O preço de R$ 1,35 era inviável. O que acontecia em Londrina era que as distribuidoras subsidiavam o combustível para poder concorrer. Agora, estão retirando esse subsídio, justifica o dono do posto Carajás (Bandeira Branca), Emílio Santaella. Ele vende a gasolina a R$ 1,58. Estamos acompanhando o preço de outros postos da cidade, acrescenta. Segundo ele, os empresários do setor trabalhavam no vermelho desde fevereiro, quando se acirrou a concorrência entre os postos.
A sócia-proprietária do Posto Samuara (Ipiranga), Rosângela Pires, diz que o preço ideal para a manutenção do estabelecimento seria de R$ 1,65 o litro de gasolina. Vendíamos a R$ 1,35 porque a companhia subsidiava. Caso contrário, não teríamos suportado a concorrência, diz ela. Rosângela ressalta que o combustível não está sendo reajustado. Apenas estamos retirando o preço promocional. No Samuara, o litro de gasolina é vendido a R$ 1,57. Com isso, estamos alinhando nossos preços com o resto do Estado e do País, sustenta. Em Maringá, os postos cobram entre R$ 1,58 a R$ 1,60 pelo litro de gasolina Em Curitiba, a média está em torno de R$ 1,54.
No Posto Duim (com bandeira BR), o proprietário Oswaldo Duim admite que os preços subiram gradativamente nos últimos dias. Só estamos repassando os preços cobrados pela distribuidora, afirma. Segundo ele, com o fim dos preços promocionais, a margem de lucro que chegou a R$ 0,5 está em R$ 0,15.
Os consumidores estranham os constantes aumentos nas bombas. Todos os dias tem preço diferente. É um absurdo, reclama a estudante Alexandra Silva da Costa. Ela abastece o carro de duas a três vezes por semana. Com a gasolina subindo e o salário parado, daqui a pouco vou ter que deixar o carro na garagem, comenta.
Mas nem todos os consumidores criticam os preços. O gerente de banco Valdecir Teodoro acha pior os prejuízos causados pela gasolina de baixa qualidade. Com os preços dentro da realidade, poderemos ter um combustível de melhor qualidade, diz ele.
O diretor do Sindicombustíveis, em Londrina, Valter Sasso, se negou a dar entrevista à Folha. Ele não comentou os preços praticados na cidade e nem quis falar sobre o fim dos preços promocionais.


