Gasolina sobe 7% e MP vai investigar todos os postos
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segunda-feira, 11 de junho de 2018
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
A Promotoria de Defesa do Consumidor solicitou à Receita Estadual que informe os preços praticados por todos os postos de combustíveis de Londrina antes e depois da greve dos caminhoneiros (21 a 31 de maio). O Ministério Público, que já investiga 19 estabelecimentos denunciados pelo Procon, decidiu ampliar a apuração tendo em vista pesquisa feita pela ANP (Agência Nacional de Petróleo e Biocombustíveis).
De acordo com a agência, de 13 de maio a 9 de junho, o preço da gasolina subiu em média 7,3% nos postos da cidade, de R$ 4,218 para R$ 4,526. No período, o valor também subiu da Petrobras para as refinarias, mas em porcentual menor. Dia 13 de maio, o preço da Petrobras era de R$ 1,933. Subiu 4% até o dia 2 de junho, quando atingiu R$ 2,011, e baixou para R$ 1,987 no último dia 9, ou seja, um preço 2,8% mais alto que no início do período pesquisado.
O etanol, que não tem preço administrado pela Petrobras teve uma elevação de preço de 6,7% de 13 de maio a 9 de junho, segundo o levantamento da ANP. Já o diesel S500 teve queda de 2,6% e o S10, de 5,12%. São 9 e 18 centavos respectivamente, valores ainda distantes do corte de 46 centavos prometidos pelo governo para que a greve dos caminhoneiros fosse encerrada.
"Há indícios de que esteja ocorrendo crime contra a economia popular e contra as relações de consumo", afirmou o promotor Miguel Sogaiar, em entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira (11). Ele espera para ainda esta semana o retorno da Receita Estadual com as informações solicitadas, que serão analisada por auditores do MP. "Se for comprovado que houve aumento sem justificativa, vamos oferecer denúncia criminal contra os postos", declarou.
Além dos preços pagos pelo consumidor, a Receita irá informar o praticado pela Petrobras para as refinarias e o das refinarias para os distribuidores.

PROCON
O coordenador do Procon, Gustavo Richa, que também participou da coletiva, informou que dos 19 postos denunciados por praticarem preços abusivos durante a greve, 15 entregaram os documentos solicitados pelo órgão até o dia 3 de junho. Os outros quatro poderão responder por crime de desobediência. O Procon ainda está analisando a documentação encaminhada pelos estabelecimentos que foram acusados de elevar os preços até 40 centavos. "Teve posto que, segundo a denúncia, chegou a cobrar R$ 9 pelo litro de gasolina", lembrou.
CONSUMIDORES
Clientes que conversaram com a reportagem nesta segunda-feira disseram que se sentiram explorados pelos postos durante a paralisação dos caminhoneiros. "Os preços subiram muito, devem estar tentando tirar vantagem", disse a auxiliar de escritório Amanda Franco. "O pessoal se aproveita da situação", afirmou a cabeleireira Gisele de Oliveira que evita usar o carro devido ao preço do combustível. "Uso mais a moto que rende bastante."
Já o motorista profissional Eduardo de Souza Vieira não viu aumento durante a greve, mas considera que o preço já era bem alto. "Razoável seria R$ 3,99 ou no máximo R$ 4,10." No posto onde ele abastecia, o litro da gasolina saía a R$ 4,49.
Por meio de nota enviada à reportagem, o sindicato que representa os postos, o Sindicombustíveis, afirmou que a "prática de preço abusivo é uma acusação grave, que deve ser investigada a fundo e comprovada, sempre respeitando o amplo direito de defesa". E alertou que as autoridades também devem avaliar as práticas das distribuidoras. "Os postos não compram diretamente das refinarias, compram das distribuidoras. Assim, é fundamental avaliar como estas grandes companhias atuaram durante a crise", diz a nota.


