Curitiba - O entregador curitibano Odenir de Souza enche o tanque de sua moto com gasolina todos os dias. São R$ 15,00 por dia últil de trabalho ou R$ 300,00 por mês. Ele reclama: ''Está ficando cada vez pior.'' A frase do motoboy se refere à última alta da gasolina em Curitiba, que começou no ínicio de março e continuou esta semana. O preço médio da gasolina na Capital é de R$ 2,29 por litro. Há duas semanas era de 2,07 por litro. Isso representa uma alta de 10,09%. Ontem muitos postos amanheceram com preço de 2,39 por litro. Porém a tarde recuaram.
Para o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) do Paraná, que faz a análise das tarifas públicas da Capital mensalmente, este aumento é injustificado. Segundo o economista do Dieese-PR, Sandro Silva, enquanto o aumento para o consumidor foi de 10,09% em duas semanas, os proprietários de postos de combustíveis enfretaram um reajuste de 2,43% no preço da gasolina que compraram da distribuidora neste mesmo período. Isto é, enquanto os postos estão comprando da distribuidora gasolina a um preço médio de R$ 1,97 o litro revendem a R$ 2,28 o litro (R$ 0,31 de margem - diferença entre os dois preços).
''Esta margem de R$ 0,31 significa 15,49% sobre o preço da distribuidora. O Dieese já mostrou que a margem média ideal para os postos de gasolina, com base no histórico de preço de Curitiba dos últimos dois anos, é de 8% a 9%'', explicou Silva. Em agosto do ano passado a alta disparada no preço da gasolina na Capital fez o Ministério Público (MP) estadual intervir na questão. Por causa do alinhamento para cima dos preços o MP ameaçou entrar com uma ação civil pública para que os postos de Curitiba fixassem a margem em até 11%. Porém o MP não conseguiu reunir toda a documentação. ''Na época já achamos este índice alto, mas o MP achou melhor assim para evitar adulterações. Mais do que isso é absurdo'', afirmou Silva.
''É absurdo e uma vergonha. Agora tudo sobe. E o bolso fica cada vez mais leve, mais vazio'', reclamou o aposentado Fernando Thá. ''A empresa paga a gasolina que uso para trabalhar. Mas para eu ir para casa com a moto tenho que completar do meu bolso já que o preço aumenta no posto e eles não podem repassar para a gente. O meu carro particular eu evito ao máximo usar e muitas vezes misturo álcool com a gasolina'', contou o motoboy Neemias Freire.
A reportagem da Folha tentou por diversas vezes contato com o presidente do Sindicombustíveis, que representa os postos, Roberto Fregonese, porém não obteve retorno das ligações.

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