Curitiba - O preço da gasolina, em março, provocou efeito inverso, ao registrado no mês anterior, na composição da cesta de serviços administrados e monitorados. A queda de 3,71% no combustível fez o custo desses serviços recuarem em 0,60%. Em fevereiro, quando registrou variação positiva de 1,24%, o mesmo item havia contribuído para a ligeira alta de 0,12%.
Segundo pesquisa divulgada ontem pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) em conjunto com o Sindicato do Engenheiros do Paraná (Senge-PR), outros três itens tiveram alta: carta simples (6,74%), transporte coletivo (0,46%) e gás de cozinha (0,36%). Os gastos com a cesta de serviços públicos para uma família curitibana foram de R$ 481,12.
Nos últimos 12 meses, o índice acumulado é de -1,77% - variação inferior à inflação medida no mesmo período, que foi de 1,76%, pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), e de 2,19%, pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
De janeiro a março, a variação é de -1,17% e a estimativa do Dieese é de novo recuo neste mês (-0,56%), caso seja mantida a tendência de queda no preço da gasolina observada na primeira semana de abril. O Dieese calcula um recuo de 6,20% no preço do combustível. A projeção não considera um possível reajuste que está sendo estudado pela Companhia de Saneamento do Paraná, nas tarifas de água e esgoto, que ficaram congeladas nos últimos dois anos, lembrou o diretor-presidente do Senge-PR, Ulisses Kaniak.
O economista do Dieese, Sandro Silva, observou que a queda no preço da gasolina - de R$ 2,450, em fevereiro, para R$ 2,359, em março -, foi resultado da redução na margem de lucro dos postos em 35,21%. Segundo ele, o lucro caiu de R$ 0,355 por litro para R$ 0,230 ou de 16,95% para 10,80%, na mesma comparação, voltando aos patamares registrados entre 2003 e 2005.
Comportamento semelhante se deu com o preço do álcool, que recuou 4,49%, no mês passado. A variação negativa, também, seria reflexo na redução em 33,57% na margem de lucro. Silva adiantou que o Dieese estuda incluir o item na cesta de serviços públicos.
Com a queda no preço, em março, a gasolina vendida no Paraná - a um preço médio de R$ 2,386 - passou a ser a mais barata do País e a de Curitiba (R$ 2,359) a mais barata entre as 16 capitais pesquisadas pelo Dieese.

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