Gasolina puxa alta da cesta de tarifas
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terça-feira, 14 de novembro de 2006
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A gasolina puxou o aumento da cesta de tarifas públicas de Curitiba em outubro. O produto subiu 6,39% no mês passado o que levou a cesta a fechar com alta de 1,10%. O combustível vem subindo desde a segunda semana de outubro. Caso a gasolina tivesse ficado estável, a cesta de tarifas teria subido apenas 0,83%. O preço médio do produto na Capital foi de R$ 2,48 em outubro.
Na semana passada, o produto era vendido, em média, por R$ 2,55 com uma margem de lucro de R$ 0,35 ou 16%. Para o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Sandro Silva, o principal fator que levou ao aumento da gasolina foi a elevação a margem de lucro por parte dos postos de combustíveis que dobrou entre setembro e outubro enquanto os preços na distribuidora tiveram queda de 0,46%.
A previsão de Silva é que com o aumento de 20% para 23% de álcool na composição da gasolina a partir de 20 de novembro, o produto tenha uma queda de 1,5%, o que vai representar uma redução de R$ 0,03 a R$ 0,04 para o consumidor final.
O álcool subiu ainda mais que a gasolina em outubro e fechou o mês com alta de 7,83%. Este produto não faz parte da cesta de tarifas pesquisada pelo Dieese porque quando a pesquisa foi iniciada em 2002, poucas pessoas usavam carros movidos a álcool. A onda de carros flex foi acentuada a partir de 2004.
A cesta de tarifas públicas teve quatro meses seguidos de queda. Entre junho e setembro acumulou uma redução de 2,59%. O presidente do Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (Senge-PR), Ulisses Kaniak, acredita na possibilidade de a cesta fechar o ano com índice negativo. Silva lembrou que, desde o início da pesquisa em 2002, esta pode ser a primeira vez que a cesta termine o ano com índice próximo de zero.
O fato de a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) reduzir gradualmente o subsídio cruzado (quando o consumidor residencial paga mais pela energia que o industrial) também ajudou a cesta a ter queda. Neste ano, os consumidores residenciais tiveram queda de 6,5% na tarifa de energia no Paraná. As tarifas de telefone fixo também tiveram redução neste ano (0,44%).
De janeiro a outubro, a cesta de tarifas teve queda de 0,14% e nos últimos 12 meses acumula alta de 1,02%. O custo destes serviços para uma família curitibana em outubro foi de R$ 484,49. No mês passado, o diesel teve queda de 0,33% e o gás de cozinha de 0,19%. Há a possibilidade de a cesta fechar novembro com deflação.


