Gasolina polêmica já está nos postos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de abril de 1997
Sucursal de Curitiba Carmem Murara 
Albari RosaNovidadePosto de bandeira Shell, que está anunciando a venda da gasolina premium A gasolina premium chegou aos postos de combustíveis de Curitiba, depois do lançamento nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal, em fevereiro. As distribuidoras Ipiranga, Shell, Texaco e Esso começaram a distribuir o produto nas principais revendedoras credenciadas. A gasolina, que causou polêmica por causa do preço e da discutida ineficiência para uso em carros nacionais, está sendo vendida a um preço 20% superior ao da gasolina comum. Vinte postos já têm o produto.
Em carros importados, a premium promete um melhor desempenho e redução no desgaste do motor. Mas estas vantagens estão sendo questionadas por alguns órgãos de defesa do consumidor e institutos de pesquisa. Um teste feito pelo Instituto Mauá de Tecnologia mostrou que os carros importados e os nacionais tiveram os mesmos resultados em testes de aceleração e retomada de velocidade com a gasolina comum e depois com a premium.
As distribuidoras de combustíveis garantem que há uma melhor performance se o o veículo tiver uma taxa de compressão do motor acima de 9,5:1, que é o caso dos importados ou dos últimos lançamentos nacionais. Do contrário, não adianta nada o consumidor abastecer o carro com o novo tipo de gasolina. Vai pagar mais caro e o produto não vai alterar em nada o desempenho do veículo, alerta o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Sindicombustíveis), Roberto Fregonese.
O problema é que nem todo mundo sabe que a premium só é eficiente para os carros importados e os consumidores acabam pagando mais caro pelo produto. Nem todos os postos têm alertado de maneira correta os clientes. Segundo o Departamento Nacional de Combustíveis, as revendoras precisam colocar instruções e orientaçãos ao consumidor em local visível, de preferência na bomba de gasolina.
Pedro Milan, dono de dois postos, garante que os frentistas têm mostrado as vantagens e desvantagens do uso da premium aos clientes. A orientação é para que se esclareça que o benefício é só para quem tem carro importado, diz Milan. Ele vende a nova gasolina há duas semanas, mas a procura ainda é pequena. Milan conta que a maioria dos consumidores ainda não sabe para que serve o produto.
Outro posto, que leva a bandeira Shell, a premium tem tido uma boa aceitação. O litro do combustível está sendo vendido por R$ 0,895, enquanto a gasolina comum custa R$ 0,740 e a aditivada sai por R$ 0,792. A premium começou a ser vendida no final de março.


