'Gasolina poderia custar R$ 1,65'
O delegado-operacional da 10ª Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, Márcio Vinícius Amaro, disse ontem que o depoimento de Bruno Santaella, filho do empresário Emílio Santaela, proprietário do Posto Carajás bandeira branca , incluiu as grandes distribuidoras de combustíveis como peça a mais na questão da combinação de preços entre postos de Londrina.
Bruno Santaela foi intimado porque teria sofrido um atentado à bala, no dia 10 de maio deste ano, quando chegava em sua casa, no Jardim Araxá (zona oeste). De acordo com o delegado, a intenção de ouví-lo foi no sentido de estabelecer um vínculo entre o atentado e a briga entre os postos pelo controle do preço da gasolina. Naquela ocasião, o Posto Carajás, praticava preços mais baixos que a concorrência.
Não conseguimos provar a autoria (do atentado), mas não existe outra explicação senão essa represália, comentou Amaro.O depoimento de Santaela serviu para dar ao inquérito uma visão mais ampla do problema, que não está restrito aos donos de postos e passa também por grandes distribuidoras, completou, sem citar quais empresas seriam.
O delegado lembrou que na época do atentado, os postos de bandeira branca (livres para comprar combustível de qualquer distribuidora), podiam vender a gasolina a preços mais baixos porque compravam de distribuidoras pequenas e não precisavam recolher todos os tributos, benefício conseguido mediante liminar da Justiça. A tática das grandes distribuidoras, segundo Amaro, era baixar o preço do combustível para os postos de suas redes, prejudicando a concorrência com uma espécie de dumping.
Ele exemplificou que quando o Posto Carajás vendia o litro da gasolina a R$ 1,35, alguns postos de bandeiras tradicionais passaram a praticar R$ 1,33. Bruno disse ao delegado que o setor poderia vender o litro da gasolina hoje a pelo menos R$ 1,65, de forma satisfatória. A média atual do preço de venda da gasolina em Londrina, segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP), é de R$ 1,769, a mais alta entre as cidades do Sul do País.
Ontem, o delegado também voltou a ouvir o gerente do Posto Tiradentes, Gilson Laudemir Paludeto. Segundo Amaro, o gerente confirmou seu depoimento anterior de que não houve tentativa de coação ou intimidação para que o posto aumentasse seus preços. O delegado adiantou que Paludeto será indiciado por falso testemunho já que há provas suficientes nos autos de que o grupo de sete posteiros esteve
no posto Tiradentes no dia
18 de julho, coagindo o seu proprietário a elevar o preço do litro da gasolina. O fato ocorreu, mas não temos como obrigá-lo a dizer a verdade.
Os sete donos de postos de combustíveis já foram indiciados por crime contra a ordem econômica (cartel) e constrangimento ilegal. Os nomes e as imagens dos empresários não podem ser divulgados devido a uma petição do advogado que representa o grupo, Sérvio Borges da Silva. O inquérito, que ouviu 15 pessoas durante os 14 dias de investigação, será concluído hoje pela manhã e seguirá para o Ministério Público, que poderá ouvir, entre outras pessoas, representantes de distribuidoras. (Luciano Augusto, de Londrina)





