São Paulo O volume de álcool anidro que é adicionado na gasolina pode ser novamente reduzido dos atuais 25% para um volume entre 23% e 20% apenas durante a entressafra de cana-de-açúcar, entre fevereiro e março. Este rumor circula pelo mercado desde dezembro, mas ganhou força nos últimos dias depois que o preço do anidro se aproximou dos R$ 1.000 por metro cúbico na Bolsa de Mercadoria & Futuros (BM&F). Em Ribeirão Preto, o metro cúbico já sai por R$ 950.
Analistas ouvidos pela Agência Estado não descartam uma redução no volume de anidro adicionado na gasolina, embora acreditem que a maior oferta gerada por esta medida não deverá derrubar as cotações. Um consultor próximo ao governo acredita que a mistura ideal neste momento de entrada da entressafra e de pouca oferta de álcool seria de 22%. Segundo ele, o governo já está estudando a possibilidade de redução.
A União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica) informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não descarta a redução mas que, na última reunião realizada entre técnicos do governo e da entidade, a avaliação foi de que o porcentual não precisa ser mudado. O monitoramento do governo está sendo semanal.
Segundo Ângelo Bressan, chefe do departamento de Açúcar e Álcool da Secretaria de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, até agora não há pedido formal das usinas para que o porcentual seja reduzido. O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, ainda não tomou conhecimento, contudo, da questão do álcool e apenas deverá discuti-la depois de voltar da viagem de reconhecimento às regiões mais afetadas pela fome com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na próxima semana.
Os estoques de álcool serão suficientes para atravessar a entressafra neste início de 2003, segundo analistas ouvidos pela Agência Estado. Júlio Maria Borges, da JOB Consultoria e Planejamento, destaca, contudo, que para que o álcool seja suficiente para suprir a demanda até o início de abril, a safra tem, necessariamente, que ser antecipada em um mês, de maio para abril, e a produção de álcool tem que ser maior que a do mesmo mês em 2002 para que a oferta fique folgada.
Borges estima que os estoques de passagem da safra 2002/03 para 2003/04 serão de 200 milhões de litros no Centro-Sul, volume suficiente para o consumo de sete a dez dias. A Datagro, do consultor Plínio Nastari, estima que estes estoques deverão ficar em torno de 157 milhões de litros se a produção de álcool no primeiro mês da próxima safra, em abril, for de 300 milhões de litros. Sem a produção antecipada, a Datagro estima um déficit de 143 milhões de litros a partir de maio.
Borges, da Job, acredita que não haverá problemas nesta antecipação. ''Há condições para antecipar e aumentar a produção. O clima tem sido quase perfeito. Houve estiagem na época da colheita e chuvas no final do ano. Tudo indica que a cana estará pronta para ser colhida em abril'', afirma.
A antecipação já havia sido indicada pelas usinas em dezembro. Seja qual for o volume exato dos estoques, ele será pequeno o suficiente para impedir o envio de álcool do Nordeste para o Centro-Sul como aconteceu em outros anos. ''Se isso acontecer o Centro-Sul terá que mandar álcool de volta em maio. O consumo nordestino também está aquecido'', informou um renomado consultor do setor.
Ele afirma que, apesar de estimar uma pequena sobra, há necessidade da redução do anidro na gasolina por conta de exportações que o Brasil teria que cumprir no período. ''As vendas externas cresceram e temos que manter esse mercado cativo.''

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