Gasolina pode ter alta ainda neste ano
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sexta-feira, 08 de setembro de 2006
Folhapress 
Brasília - O Banco Central (BC) poderá incorporar às previsões de inflação desse ano um reajuste da gasolina. Na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada ontem, os diretores avaliam que o aumento no preço do barril de petróleo deve se manter por mais tempo do que o previsto e afirmam haver poucas chances de queda nas cotações no curto prazo.
''O cenário central de trabalho adotado pelo Copom, que prevê preços domésticos da gasolina inalterados em 2006, vem se tornando progressivamente menos plausível, e, portanto, aumentaram significativamente os riscos à sua concretização'', diz a ata.
O BC lembra que apesar das quedas recentes na cotação, o preço do barril ainda era 20% superior ao do fim de 2005, quando o Copom se reuniu nos dias 29 e 30 de agosto. Mas essa redução no valor do barril, já foi suficiente para baixar as expectativas do mercado financeiro de impacto do reajuste da gasolina na inflação de 2006.
De acordo com as últimas projeções, o IPCA deve subir 0,15 ponto percentual caso o governo decida pelo reajuste. Antes da queda do preço do petróleo, as estimativas eram de um impacto de 0,4 ponto percentual na inflação.
Embora não admita, o BC só terá ganhos com um aumento do combustível logo depois das eleições. É que dessa forma, o impacto será sobre a inflação de 2006, que já está projetada significativamente abaixo da meta de 4,5% para esse ano.
Sinal - O Banco Central deu sinais de que poderá reduzir mais uma vez os juros em 0,5 ponto percentual, como fez em agosto superando as expectativas dos analistas econômicos. Mas, para manter o tom de cautela, indicou na ata do Copom que um corte de 0,25 ponto percentual também está entre as opções.
Os diretores do BC explicam na ata que no mês passado consideraram um corte de apenas 0,25 ponto percentual, como esperava a maior parte do mercado. Além disso, mantiveram a observação, já incluída em atas anteriores, de que a queda da taxa Selic poderá ser conduzida ''com maior parcimônia''.
O BC considera que a renda, o emprego e o crédito continuarão crescendo nos próximos meses e estimulando a economia. Além disso, citam o aumento do salário mínimo, dos gastos crescentes do governo e da própria queda dos juros desde setembro do ano passado como elementos que vão impulsionar a demanda.
O que fez os diretores optarem por um corte maior foi o comportamento da inflação. Entre junho e julho houve uma redução na expectativa de aumentos de preços. A inflação medida pelo IPCA (índice usado como meta) nos últimos 12 meses terminados em julho foi de 3,97%. No início do ano, o mercado projetava uma inflação de 5,7% para esse período.
E os índices divulgados após a reunião do Copom só reforçam que a ''parcimônia'' não será necessária. O IPCA de agosto - que mostrou inflação de apenas 0,05%, quando as projeções apontavam alta de até 0,25% - acentuou a percepção do mercado financeiro de que já há espaço para outro corte de 0,5 ponto percentual.


