Gasolina pode ficar 20% mais cara após o segunto turno
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segunda-feira, 07 de outubro de 2002
Agência Folha 
Brasília - O reajuste dos preços dos combustíveis deve ser anunciado tão logo seja definida a sucessão presidencial no segundo turno. Analistas do setor de petróleo estimam que, no caso da gasolina, o repasse deve variar entre 7% e 20%.
Há ainda estimativas de técnicos do setor de que a alta da moeda norte-americana e do barril do petróleo no mercado internacional nos últimos meses já provoque uma pressão superior a 40% nos preços da gasolina e do diesel em relação ao último reajuste, concedido no fim de junho.
No caso do gás de cozinha (GLP), o represamento dos repasses desses aumentos já supera 60%, provocado principalmente pela determinação do governo de reduzir em 12,4% o preço na refinaria e devido ao fato de a estatal importar cerca de 35% do produto.
O último reajuste da gasolina e do diesel foi calculado tomando como referência uma cotação do dólar de R$ 2,80. Ontem, a moeda americana encerrou a R$ 3,735.
Luiz Paulo Foggetti, analista de petróleo da corretora Fator Dória Atherino, acredita num reajuste de até 7% nos combustíveis logo após a conclusão das eleições.
Segundo Fogetti, a situação do mercado internacional de petróleo não é boa para a Petrobras, que, além de ter custos indexados ao dólar, sofre com a atual pressão nos preços do petróleo diante do risco de uma guerra entre EUA e Iraque.
''O governo segurou o aumento por conta da eleição, mas o reajuste terá que vir mesmo que dividido em duas partes'', disse. Para ele, parte da alta (cerca de 7%) sairá ainda este ano. O restante ficará para o próximo governo.
O analista de petróleo da corretora Socopa, Marcos Paulo Fernandes, é menos otimista e acredita num reajuste entre 15% e 20% nos preços da gasolina.
O argumento da Petrobras para segurar o reajuste é de que é preciso uma estabilidade maior no câmbio, que estaria sendo artificialmente pressionado pelo cenário político das eleições presidenciais e a ameaça de guerra no Iraque.
O fato é que até o fim do ano os preços desses três produtos deverão sofrer reajustes, uma vez que parte do mercado aposta no alta do dólar independente da definição do quadro eleitoral.


