Brasília – A quantidade de álcool na gasolina foi alterada de 22% para 24% ontem. Mas a mudança na composição do combustível não deve ajudar a reduzir os preços nos postos. A medida tem como objetivo provocar a redução da produção de açúcar e aumentar a de álcool. Dessa forma, o açúcar deve recuperar suas cotações, que estão em baixa, atendendo ao pedido dos produtores de cana. A mudança permitirá escoar a produção de álcool da safra de cana de 2002, que deve aumentar em 20%.
Mas, segundo o Sincopetro (sindicato dos postos de São Paulo), o impacto no preço da gasolina será ‘‘insignificante’’. O álcool representa 22% do valor de um litro de gasolina, ou R$ 0,35, tomando como referência o preço de R$ 1,60 por litro. Esses 2% a mais equivalem a apenas R$ 0,0038.
O aumento do percentual de álcool anidro adicionado à gasolina pode prejudicar o desempenho dos veículos e aumentar o consumo. Segundo o presidente da AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva), José Edison Parro, os motores são calibrados de fábrica para uma mistura de 22%, mas o sensor de oxigênio trabalha com uma faixa de tolerância. Com isso, o aumento para 24% causará um pequeno aumento no consumo de combustível. ‘‘Quando adotado um percentual, o sistema eletrônico tem a capacidade de se adaptar ao combustível, mas o aumento constante desse teor fará com que o sistema não consiga acompanhar as alterações, causando problemas quanto à integridade dos componentes do motor.’’

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