Gasolina não terá redução. Energia vai subir
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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2001
Agência Estado De Brasília 
A redução de 6,5% no preços da gasolina que era esperada para o próximo trimestre não deverá ocorrer. A previsão consta da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem pelo Banco Central. Depois que o governo criou, em novembro, o mecanismo de variação do preço da gasolina no mercado interno de acordo com o comportamento do câmbio e da cotação do petróleo lá fora, seria a primeira redução do preço dos combustíveis ao consumidor. Segundo a ata, no entanto, deverão ocorrer apenas reduções menores nos últimos dois trimestres de 2001.
O documento do Copom também traz a reestimativa de 12% para 15,8% para o aumento da energia elétrica este ano. A justificativa usada pelo Banco Central para a elevação é a de que o reajuste da energia teve que ser revisto por causa das autorizações de aumento já concedidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) neste ano. A previsão do Copom é que os maiores reajustes ocorram nos dois últimos trimestres.
Para os preços administrados, incluindo combustíveis e salário mínimo, a expectativa é de um reajuste médio de 8,5%, o que teria um impacto de 1,9 ponto porcentual na inflação. No final do ano passado, o governo previa que este reajuste ficaria em 6% enquanto o impacto na inflação seria de 1,3 ponto porcentual. De acordo com a ata, será o terceiro ano consecutivo em que o aumento dos preços administrados supera a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA), que é considerado pelo BC na fixação das metas de inflação.
O Copom admitiu que foi surpreendido pela inflação de 0,57% em janeiro, pois esperava 0,50%. O comitê concluiu, na reunião, que a manutenção dos juros em 15,25% ao ano permitiria o cumprimento das metas de inflação este ano e no próximo. Sobre a previsão de taxas de 13,8% ao ano previstas pelo mercado para o final do ano, a ata destaca que, com os juros nestes níveis, a inflação ficaria pouco acima da meta para 2001. Mas confortavelmente dentro da margem de mais ou menos 2 pontos porcentuais, prevista no sistema de metas de inflação.
Para o economista-chefe do Banco Santander, André Loes, a principal preocupação do Copom na última reunião foi o petróleo. Apesar de não descartar que os diretores do BC estejam preocupados com a demanda, ou seja, o aquecimento da economia, Loes considerou que a questão do petróleo foi o fator mais forte na decisão de manter os juros.
No documento, os diretores ressaltam que o cenário externo apresenta incertezas relevantes ainda não dissipadas e a acentuada volatilidade nos preços do petróleo. Consideram ainda que a Argentina está recuperando a confiança dos agentes (leia mais na página 5) e fazem uma previsão de queda dos juros nos Estados Unidos de 5,5% ao ano para 5%.
Sobre a atividade econômica, a ata destaca que o balanço de oferta e demanda não indica pressões sobre os índices de preços no horizonte relevante para o regime de metas de inflação. Mas este crescimento tem exercido impacto sobre a balança comercial com declínio do saldo acumulado da balança.
Segundo o comitê, este declínio tem influenciado as expectativas do mercado de câmbio. Para Lopes, a pressão na balança é porque o ajuste da demanda tem sido feito pela importação.


