Gasolina está a R$ 2,38 em Londrina
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quarta-feira, 05 de fevereiro de 2003
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
A gasolina já está mais cara em alguns postos de Londrina. Empresas pesquisadas pela Folha aumentaram o combustível em R$ 0,10 e estão vendendo o produto ao preço médio de R$ 2,38 por litro. Postos com estoque continuam comercializando pelo valor antigo, mas garantem que só manterão os preços até a próxima compra. O álcool também foi reajustado e ontem, custava R$ 1,58 em alguns estabelecimentos. A alta é de R$ 0,20 desde sexta-feira.
No posto Santa Cruz, revendedor da Esso, os combustíveis já estão sendo comercializados com os novos preços. Eduardo Tomasetti, proprietário da empresa, teme que o reajuste diminua ainda mais o consumo. ''O poder aquisitivo do brasileiro é muito baixo. Ninguém mais consegue encher o tanque'', reclamou.
Ele vendia 470 mil litros de gasolina por mês, há sete anos, e hoje, comercializa 170 mil litros mensais. Além do encarecimento, ele atribui a queda nas vendas à abertura de muitos postos na cidade. Para viabilizar o negócio, a solução é diversificar as fontes de renda no posto. ''Vamos vender, carvão, gelo, salgadinhos e colocar uma conveniência. O custo operacional é muito alto'', disse.
Antônio Marques da Silva, proprietário do Auto Posto Vitorino, de bandeira branca, se preparava para reajustar os preços dos combustíveis a partir de hoje. Insatisfeito com os valores praticados pelas distribuidoras, ele aposta em uma violenta retração no consumo.
Segundo o empresário, o volume comercializado caiu 30% desde a primeira alta do ano, no início de janeiro. ''Quem colcava R$ 20 de combustível continuará colocando o mesmo valor. Mas em vez de levar dez litros, levará apenas sete'', analisou.
Impotente diante de tantos aumentos, o consumidor tem que se desdobrar para pagar o custo do transporte de todos os dias. O motorista de caminhão Adelino Teixeira França não enche o tanque do veículo faz muito tempo. ''Abasteço com a quantidade suficiente para chegar ao destino. Chegando lá, tenho que pegar outro frete para pagar a volta'', contou.
Além do caminhão, o carro da família é cada vez menos utilizado. ''Só uso quando é extremamente necessário. Não saimos mais para passear de carro'', lamentou.
O estudante Carlos Eduardo Zanola comprou uma moto para economizar combustível. ''Carro está se tornando artigo de luxo'', comentou. Com o automóvel, ele percorre nove quilômetros (km) com um litro de gasolina. Usando a moto, vai fazer 40 km com a mesma quantia. ''É uma economia significativa.''


