Desde o início do feriado de Páscoa, o consumidor está pagando a mais pelo litro da gasolina e do álcool, em Londrina. Proprietários de postos consultados ontem à tarde afirmaram que o novo preço representa o fim das promoções para pagamento à vista, forçado sobretudo pela alta no valor do produto, já autorizada pelo governo, e que não havia sido repassada para os consumidores da cidade. A gasolina está custando entre R$ 0,98 e R$ 1,00, dependendo do posto. O álcool varia entre R$ 0,66 e R$ 0,68.
Desde a última sexta-feira a Folha atendeu a diversas ligações de consumidores reclamando dos novos preços da gasolina e do álcool. Antes do feriado a gasolina podia ser encontrada, à vista, em torno de R$ 0,92 e o álcool em cerca de R$ 0,65. Ontem à tarde a reportagem não conseguiu contatar nenhum dos diretores do Sindicombustíveis para detalhar os motivos do final das promoções.
O promotor de Defesa do Consumidor, Leonir Batisti, afirmou ontem que não registrou nenhuma denúncia de anormalidade. ‘‘O mercado tem de ser livre’’, orientou o promotor. Segundo informou, em Londrina os postos haviam protelado o reajuste de combustíveis com as promoções para compra à vista.
De acordo com Batisti, o que não pode ocorrer é um acordo que prejudique o livre mercado, em detrimento do consumidor. De acordo com a lei 8.137/90, ‘‘constitui crime contra a ordem econômica formar acordo, convênio, ajuste ou aliança entre ofertantes visando a fixação artificial de preços’’.
No final do ano passado a Promotoria de Defesa do Consumidor requisitou notas de compras de postos de combustíveis depois de constatar um aumento no preço. De acordo com Batisti, na época, muitos proprietários reduziram o valor do produto depois da investida da promotoria, inclusive assinando um termo de compromisso. Ontem Batisti disse que, caso ocorra qualquer comprovação de anormalidade, existe a possibilidade da Promotoria requisitar novamente esclarecimentos junto aos proprietários de postos de combustíveis.
Em todo o País a gasolina e o álcool poderão ter, em abril, mais um reajuste - o terceiro do ano. Segundo o Ministério da Minas e Energia, esta nova alta representará um repasse residual do impacto da desvalorização cambial. O último aumento foi concedido pelo governo na primeira quinzena de março, autorizando a elevação de 11,5% nos preços cobrados pelas refinarias. Nos postos, onde o preço para revenda é liberado, o aumento dos custos representou, para o consumidor, reajustes que variaram entre 7,5% e 10% na bomba.
O presidente do Sindicombustíveis do Paraná, Roberto Fregonese, alertou, no final do mês passado, em reportagem publicada na Folha, que os empresários do setor temiam a possibilidade de desemprego, pois a retração de consumo ocasionada com o aumento de fevereiro, não havia sido bem assimilada pelo mercado. A declaração foi dada logo após a confirmação, pelo governo federal, do reajuste previsto este mês. Os revendedores do Estado acreditam em um aumento em torno de 10%.Arquivo FolhaNenhuma denúnciaPromotor de defesa do consumidor, Leonir Batisti: mercado deve ser livreDa Redação

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