Curitiba- O preço do álcool combustível já subiu cerca de 13,42% desde o final do ano passado. Em alguns postos de Curitiba, o litro do combustível está sendo vendido a R$ 1,69. Ou seja, R$ 0,20 a mais. O aumento seria cíclico e ocorreria devido a entressafra da cana-de-açúcar (entre dezembro e abril).
O diretor do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis do Paraná (Sindicombustíveis), Giuseppe Salamone, relembrou os valores praticados no ano passado, quando o litro do álcool chegou a R$ 2. ''Não tenho bola de cristal, mas posso prever que os preços subirão ainda mais. Os usineiros repassam o aumento e os revendedores precisam repassar os valores na bomba para não terem prejuízos'', ponderou.
A gasolina também deverá aumentar nos próximos dias. Até porque, ela tem mistura de álcool anidro em 23%. ''O mercado é dinâmico. Não olha apenas o custo. Temos outras variáveis que precisam ser analisadas na hora de formar o preço: a concorrência e o caixa. Não podemos deixar o caixa apertado por causa da concorrência. Trabalhamos com a margem de lucro apertada'', avaliou Salamone.
O diretor do Sindicombustíveis não é favorável a promoções nos postos de combustíveis. No posto que é proprietário, Salamone tem praticado o preço de R$ 2,59. ''Sou conservador no meu posto. Não me preocupo com a concorrência. presto um bom atendimento - que é o meu diferencial. Não baixei o preço da gasolina e, talvez, não tenha que subir desesperadamente como os demais. Os meus custos não baixaram'', disse ele.
A maior parte dos postos de Curitiba praticava até ontem o preço de R$ 2,49 o litro da gasolina. Dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP) demonstram que de 26 de dezembro a 5 de janeiro, o preço do álcool hidratado subiu de R$ 843,95 para R$ 896,91 considerando o metro cúbico (mil litros).
O Ministério da Agricultura promete intervir no mercado interno brasileiro caso os preços do álcool subam de maneira descontrolada. O Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (CIMA) poderá ser reunido para rever o percentual de mistura do álcool na gasolina. Em vez de subir para 25%, como querem os produtores, a mistura poderá ser reduzida para aumentar a oferta de álcool no mercado e forçar uma baixa do preço. Em janeiro de 2006, o governo foi obrigado a reduzir de 25% para 20% a mistura na gasolina para estimular a queda dos preços.

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