Gasolina brasileira está 19% mais barata
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2003
Agência Estado 
Rio A recente disparada do petróleo devido ao risco de guerra no Oriente Médio aumentou a diferença entre os preços dos combustíveis no País e as cotações do mercado internacional. Em comparação com os valores do Golfo Americano, padrão de referência para a Petrobras, o preço da gasolina já está desatualizado em 19% e o diesel, em 21%. A relutância da Petrobras em promover reajustes aumenta o temor de ingerência política na estatal pelo governo, reforçado pela decisão tomada anteontem de adiar a licitação das plataformas P-51 e P-52.
Segundo cálculos do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), o litro da gasolina está cotado a US$ 0,2718 no Golfo Americano, enquanto o preço de venda pelas refinarias da Petrobras é de US$ 0,2279. No caso do diesel, a cotação americana chega a US$ 0,2798, contra US$ 0,2464 cobrado pela Petrobras. Como a Petrobras importa parte do volume de diesel que vende, deve-se acrescentar à cotação do golfo o custo com o frete, o que dá um preço final de importação de US$ 0,2998.
Como paga mais caro pelo diesel que importa, a Petrobras assume um prejuízo de cerca de US$ 1,63 milhão por dia, levando em consideração que a empresa vai buscar no mercado externo cerca de 30% do consumo nacional. O último reajuste promovido pela empresa foi realizado no dia 29 de dezembro.
A política de preços a ser adotada pelo governo é uma das principais preocupações do mercado financeiro com relação à Petrobras. Segundo relatório enviado na semana passada pelo Unibanco a seus clientes, o controle da volatilidade dos preços ao consumidor se tornou uma prioridade. ''Em uma situação limite - a disparada dos preços do petróleo por conta de uma guerra, por exemplo - não é impossível que a decisão do governo seja privilegiar a estabilidade dos preços finais em detrimento à remuneração nas refinarias'', alerta o documento.


