Foz do Iguaçu – A ‘‘perenegrição’’ de brasileiros aos postos de combustíveis de Puerto Iguazú (Argentina) em busca de gasolina barata está prejudicando empresários do setor em Foz do Iguaçu. Comerciantes estão perdendo clientes, que preferem a gasolina argentina, vendida a R$ 0,99 o litro, enquanto a brasileira custa em média de R$ 1,70.
Pelo menos 80 frentistas foram demitidos após queda de 30% a 60% nas vendas (depende do posto), segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Derivados de Petróleo e Lojas de Conveniências do Paraná. Antes da ‘‘crise’’, o ramo empregava perto 320 funcionários em 54 estabecimentos. Conforme o diretor regional do sindicato, Walter Venson, a tendência é de novas dispensas.
Ontem, Venson denunciou o contrabando feito por ‘‘canequeiros’’ (donos de borracharias e oficinas mecânicas) que transportam e armazenam o produto de forma precária. ‘‘Existem riscos de derramamentos, incêndio e intoxicação’’, afirmou, destacando que motoristas aumentaram a capacidade dos tanques dos veículos de forma improvisada, ‘‘transformando-os em verdadeiros carros-bomba’’.
O empresário advertiu que a diferença na composição das gasolinas pode estragar os motores dos automóveis. Mecânicos consultados pela Folha confirmam os danos, mas informaram que o veículo pode passar por uma adaptação. Segundo eles, o estrago acontece porque o combustível argentino é puro e o nacional é misturado ao álcool.
Abastecer em Puerto Iguazú ficou mais rentável depois da desvalorização do peso, em janeiro, quando a moeda argentina passou a ter cotação de um por um com real (antes um peso valia R$ 2,50). A estimativa é que mais de 500 motoristas brasileiros e paraguaios cruzem a fronteira diariamente atraídos pelo preço 40% mais barato.

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