Gasolina argentina gera demissões em Foz
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sexta-feira, 12 de abril de 2002
Alexandre Palmar Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu A perenegrição de brasileiros aos postos de combustíveis de Puerto Iguazú (Argentina) em busca de gasolina barata está prejudicando empresários do setor em Foz do Iguaçu. Comerciantes estão perdendo clientes, que preferem a gasolina argentina, vendida a R$ 0,99 o litro, enquanto a brasileira custa em média de R$ 1,70.
Pelo menos 80 frentistas foram demitidos após queda de 30% a 60% nas vendas (depende do posto), segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Derivados de Petróleo e Lojas de Conveniências do Paraná. Antes da crise, o ramo empregava perto 320 funcionários em 54 estabecimentos. Conforme o diretor regional do sindicato, Walter Venson, a tendência é de novas dispensas.
Ontem, Venson denunciou o contrabando feito por canequeiros (donos de borracharias e oficinas mecânicas) que transportam e armazenam o produto de forma precária. Existem riscos de derramamentos, incêndio e intoxicação, afirmou, destacando que motoristas aumentaram a capacidade dos tanques dos veículos de forma improvisada, transformando-os em verdadeiros carros-bomba.
O empresário advertiu que a diferença na composição das gasolinas pode estragar os motores dos automóveis. Mecânicos consultados pela Folha confirmam os danos, mas informaram que o veículo pode passar por uma adaptação. Segundo eles, o estrago acontece porque o combustível argentino é puro e o nacional é misturado ao álcool.
Abastecer em Puerto Iguazú ficou mais rentável depois da desvalorização do peso, em janeiro, quando a moeda argentina passou a ter cotação de um por um com real (antes um peso valia R$ 2,50). A estimativa é que mais de 500 motoristas brasileiros e paraguaios cruzem a fronteira diariamente atraídos pelo preço 40% mais barato.


