Gasoduto reduzirá consumo de petróleo
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 1999
Agência Folha 
O gasoduto Brasil-Bolívia, que teve seu primeiro trecho inaugurado ontem, permitirá que o Brasil reduza o consumo de petróleo em 100 mil barris diários a partir de 2005, quando deve operar com sua capacidade máxima. Nesse ano, devem passar pelo gasoduto 30 milhões de metros cúbicos de gás por dia, na avaliação de Antônio de Menezes, vice-presidente da Gaspetro, subsidiária da Petrobrás que é a principal acionista do empreendimento. Segundo ele, o País consome hoje 1,6 milhão de barris de petróleo por dia.
O trecho já concluído tem 1.970 km e vai da Bolívia, onde estão as jazidas de gás, até Campinas (SP). No fim do ano deve estar pronta a segunda etapa, de 1.180 km, que chegará a Porto Alegre (RS). No total, o gasoduto vai custar US$ 2 bilhões.
O empreendimento é um dos principais projetos do Brasil em Ação, que reúne as obras de infra-estrutura consideradas prioritárias pelo governo Fernando Henrique Cardoso. Além de reduzir o consumo de petróleo, o gasoduto permitirá que o Brasil diversifique suas fontes de energia e amplie a utilização de uma energia considerada ecologicamente correta.
Atualmente, 2,6% da energia consumida no País provém do gás. Quando toda a capacidade do gasoduto for utilizada, esse percentual subirá para 12%. David Zylbersztajn, presidente da ANP (Agência Nacional de Petróleo), diz que, na Argentina, a participação do gás na matriz energética é de 50%. Em sua opinião, haverá consumidores para o gás vindo da Bolívia, mesmo com alta do dólar e a recessão econômica.
O gás será comprado da Bolívia pelo consórcio liderado pela Gaspetro, que o venderá para as concessionárias estaduais de gás. As concessionárias venderão o produto aos consumidores finais. O vice-presidente da Gaspetro admite que o fato de o preço do gás boliviano ser fixado em dólar poderá trazer dificuldades comerciais para o empreendimento. Mas diz acreditar que as vantagens do produto podem superar os problemas econômicos.
Um dos principais atrativos é o fato de o gás natural ser um combustível limpo, que não gera resíduos nem é tóxico. Zylbersztajn acrescenta que o gás é mais eficiente na fabricação de produtos que exigem uma fonte de calor uniforme, como vidro e cerâmica. Outra vantagem é o fato de ser um produto que não precisa ser estocado, ao contrário do óleo.
O secretário de Energia de São Paulo, Mauro Arce, diz que a Comgás já contratou a compra de 2,2 milhões de metros cúbicos diários de gás boliviano. Hoje, a concessionária paulista distribui 3,7 milhões de metros cúbicos/dia.
Segundo Arce, há várias empresas no Estado interessadas na compra do gás. A Petroquímica União, por exemplo, já contratou um volume de 550 mil metros cúbicos de gás por dia. Para as empresas, o gás apresenta a vantagem adicional do fornecimento contínuo, sem riscos de interrupções que podem ocorrer com a energia elétrica.
Na opinião de Arce, há mercado para o produto, apesar da crise. Segundo ele, o principal concorrente do gás é o óleo. Como o preço do petróleo também é fixado em dólar, o impacto da alta da moeda afetará os dois produtos. O gás pode ser usado em residências, como combustível de veículos e como fonte de energia para indústrias.


