Curitiba Apesar de ainda não haver um horizonte para o Brasil chegar a auto-suficiência de gás natural, a Petrobras traçou um plano de negócios que será colocado em prática a partir de 2007 e com conclusão prevista para 2011 através do qual a dependência do gás vindo da Bolívia deve diminuir. Hoje, o Brasil tem uma produção líquida de 26,933 milhões de m3/dia de gás e importa 25,576 milhões de m3/dia da Bolívia e da Argentina, sendo quase a totalidade dos bolivianos.
O plano da Petrobras prevê que em 2011, o País esteja produzindo 70 milhões m3/dia mas, em contrapartida, consumindo 100 milhões de m3/dia. Ainda em 2011, 30 milhões de m3/dia virão da Bolívia, 70 milhões serão de produção própria e outros 21 milhões serão provenientes de gás natural liquefeito (GNL) importado. Esse gás chega no País em forma líquida e, em seguida, é vaporizado. Este produto é retirado junto com a extração de petróleo. Atualmente, as maiores concentrações de produção de gás natural estão na Bacia de Campos (RJ), na Bacia de Santos e na costa do Espírito Santo.
Hoje a demanda pelo uso do gás sobe mais que a produção interna. O coordenador do Conselho de Infra-Estrutura da Federação das Indústrias do Estado do Paraná e membro do Conselho de Infra-Estrutura da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Paulo Ceschin, destaca que a nacionalização da exploração do gás e do petróleo por parte do presidente boliviano Evo Morales anunciada em 1º de maio antecipou a decisão do plano da Petrobras de aumentar a produção de gás. Serão aplicados US$ 22 bilhões para aumentar a produção. Em 2011, só as indústrias estarão consumindo 40 milhões m3/dia.
Outras estratégias utilizadas pela Petrobras foram antecipar decisões como as usinas móveis de gás natural liquefeito (gás natural em forma de líquido que é transformado em forma gasosa) no Nordeste Ceará e no Rio de Janeiro na Baía de Guanabara e a antecipação dos investimentos na Bacia de Santos.
''Não devemos ter crise de fornecimento de gás com o plano da Petrobras'', disse Ceschin. No entanto, ele destacou que há a preocupação que as termelétricas sejam necessárias para produzir energia em 2008, o que consumiria gás natural. ''Em 2008 ou falta energia elétrica ou gás natural se a Petrobras não cumprir o planejamento dela'', disse.
De acordo com ele, por falta de oferta maior de gás e impostos menores e ainda o custo alto da energia elétrica, as indústrias não estão ampliando o parque de produção. ''Existem investimentos programados de US$ 20 bilhões no Brasil por parte das indústrias que não acontecem devido ao preço do gás e à insegurança de fornecimento'', destacou.
Além disso, ele destaca que, o grande problema para a indústria é o preço do gás, o que deve aumentar porque este combustível terá que remunerar o investimento da Petrobras. Ainda pode haver aumento da cotação internacional do produto.
Em abril, quando houve o rompimento de um duto na Bolívia, foi reduzido o fornecimento de gás para as termelétricas e para as refinarias da Petrobras. Com isso, a redução no consumo caiu de 26 milhões de m3/dia para 16 milhões.
Vale lembrar que a Petrobras já injetou desde 1996, US$ 1,5 bilhão na Bolívia, além de US$ 2 bilhões para trazer o gás ao Brasil. A empresa opera os dois principais campos de gás do país e tem duas refinarias. É a maior companhia na Bolívia e responde por 15% do PIB do país.

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