Gás natural é aposta para região
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sábado, 13 de janeiro de 2007
Rodrigo Lopes<br>Equipe da Folha 
Curitiba- A instalação em Londrina da empresa Gastech, que vai comercializar gás natural voltado para veículos e indústrias, pode acelerar a construção de um gasoduto que leve o produto diretamente para o município. Apesar disso, a Companhia Paranaense de Gás (Compagas), responsável pela rede de gás natural no estado, afirma que, dado o elevado custo da obra, ainda não existe qualquer previsão de quando ela poderá ser realizada.
Atualmente, a rede da Compagas tem apenas 460 quilômetros de gasodutos, que atendem sete municípios da Região Metropolitana de Curitiba e dos Campos Gerais. As cidades recebem o gás que chega pelo Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol) e o levam diretamente a indústrias e a postos de combustíveis, além de servir também áreas residenciais. Segundo o assessor de planejamento da empresa, Alexandre Haag Filho, a rede limitada se deve ao traçado do Gasbol. Depois de cruzar Mato Grosso do Sul e São Paulo, o duto chega ao Paraná pela região leste do Estado.
Com isso, a construção de ramais do Gasbol partindo de Curitiba para atender outras cidades-pólo do Estado acaba tendo custos extremamente elevados. Haag Filho afirma que, para a região de Londrina, por exemplo, uma solução seria trazer um ramal que saísse de Penápolis (SP), conforme já foi analisado pela Compagas. Com isso, o duto teria 250 quilômetros de extensão. ''Mesmo assim a obra custaria por baixo, em uma conta rápida, U$ 100 milhões (cerca de R$ 214 milhões)'', calcula o assessor.
Com o alto custo da obra, o preço final do produto para indústrias ou proprietários de carros convertidos para funcionar com gás natural veicular (GNV), também ficaria elevado. ''O gás natural está dentro de um mercado muito competitivo. Para penetrar nesse mercado, tem que ter preços atrativos'', justifica Haag Filho. ''A conta desse investimento acabaria sendo passada ao consumidor. E para remunerar esse investimento, precisaríamos de um mercado muito grande'', acrescenta o assessor.
Apesar de considerar Londrina uma região bastante industrializada, Haag Filho explica que a demanda pelo gás natural ainda não cobriria os gastos de um investimento tão alto. O assessor também deixa claro que a hipotética construção de um gasoduto até outras regiões do Estado ainda deve levar anos para sair do papel. ''Nos próximos dois ou três anos, os investimentos da Compagas não serão ambiciosos demais'', declara Haag Filho.
Mas segundo o assessor, a Compagas considera importante a instalação de empresas como a Gastech na cidade. Para ele, isso pode acelerar o processo de construção de uma rede de dutos para levar o gás natural diretamente para a região. ''A instalação dessa empresa deve criar uma cultura do uso do gás natural entre indústrias e motoristas. Consequentemente, o mercado vai se expandir na região'', afirma.
A opinião é parecida com a do presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL), Rubens Benedito Augusto. ''Vamos provar que a demanda pelo gás natural é suficiente para termos um gasoduto até aqui'', declara. Segundo ele, investimentos em infra-estrutura são necessários para atrair mais indústrias para a região.


