Gás e telefonia são campeões em reajustes
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sexta-feira, 09 de julho de 2004
Das agências 
São Paulo - O gás de cozinha e o serviço de telefonia fixa são os campeões da inflação desde a implantação do Plano Real. Nos dez anos do plano, completados este mês, o gás subiu 599,84% e o serviço de telefone fixo ficou 546,11% mais caro, segundo os dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
As tarifas públicas e os preços administrados, que continuaram indexados após o Real, foram os itens que mais pressionaram a inflação no período e sempre ficaram acima da inflação média medida pelo índice oficial, o IPCA. Enquanto o IPCA acumulou alta de 169,11% em dez anos, as tarifas subiram mais do que o dobro. A energia, por exemplo, aumentou 352,91%. ''Os preços livres, ao contrário das tarifas, ajudaram a conter a inflação'', disse Eulina Nunes dos Santos, do IBGE. É o caso dos artigos de vestuário, cuja alta no Real foi de 76,91%. ''A população está substituindo a compra de bens pelo pagamento de tarifas'', disse o economista Carlos Thadeu de Freitas.
Após a desvalorização cambial de 1999 e a introdução do regime de câmbio flutuante, as tarifas subiram mais porque, pelos contratos de privatização, foram indexadas a índices sensíveis às oscilações do dólar.
Metas - A discussão sobre a meta de inflação deverá se intensificar em dois ou três meses, prevê o professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo Geraldo Gardenali. Ele argumenta que está em curso uma importante recuperação da economia que, se sustentar o atual nível de inflação, poderá levar o Banco Central a aumentar juros ou abrir uma discussão sobre uma eventual mudança da meta inflacionária.
''Além disso, este ano conta ainda com o componente eleitoral, que ajuda no crescimento da economia. E, quando há crescimento, alguns setores saem em busca de recuperação de margens'', justifica o professor.


