Gás de Pitanga pode mudar perfil do PR
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quinta-feira, 19 de novembro de 1998
Cláudia Lopes 
Se o volume potencial do Poço do Campo do Mato Rico, na região de Pitanga, for confirmado pelos testes que estão sendo feitos pela Petrobrás no local, a reserva paranaense mudará o perfil de todo o Estado, na opinião do presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), José Carlos Gomes de Carvalho. Ele acredita que a descoberta de uma grande quantidade de gás no Paraná muda o enfoque da solicitação de políticos e empresários da região Norte, que brigam por um ramal do Gasoduto Bolívia-Brasil, ligando Bauru (SP) a Londrina.
Se temos gás no Paraná, para que trazer o produto da Bolívia?, questiona ele, acreditando que futuramente Pitanga será um entroncamento dos pólos de gás. Não descarto a possibilidade de termos gás da Bolívia, da Argentina e do Paraguai, mas a primeira alternativa de gasoduto deverá ser com gás paranaense, afirmou Carvalho. Ele lembrou que em todo o Estado de São Paulo são consumidos 4 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Os testes no município do Mato Rico indicam um volume de 1 milhão de metros cúbicos em um único poço. Apesar de ter sido perfurado no município de Mato Rico (a 6 quilômetros da cidade) a Petrobrás batizou o poço como sendo de Pitanga, que é pólo da microrregião. A estatal deve perfurar ainda um outro poço na região, no município de Palmital.
Anteontem, o presidente da Fiep disse ter recebido informações da Petrobrás de que as expectativas de vazão do poço são as melhores possíveis. A confirmação do volume de gás representará mais força política para a região e o Estado, segundo ele. Esta fonte de energia alternativa deverá atrair mais indústrias para todo o Paraná, afirmou. O presidente da Fiep acredita que a Petrobrás descobriu a veia do gás no Estado, que ficará mais independente e próspero.
Segundo a assessoria de imprensa do governador Jaime Lerner, o governo considera a descoberta de gás natural na região de Pitanga uma grata surpresa que consolidará o Paraná como um dos principais pólos econômicos do País. Dependendo da avaliação técnica da reserva da região de Pitanga, esta deverá ser uma das alternativas mais econômicas de gás no Estado, que eliminará a necessidade de grandes investimentos. O governo, porém, não descarta as outras soluções de abastecimento em estudo, que são a construção do ramal do gasoduto Bolívia-Brasil e a importação de gás da Argentina e Paraguai.
O vice-prefeito e secretário do Planejamento e da Indústria e Comércio de Francisco Beltrão, Arni Hall, acredita que todos os municípios paranaenses sairão lucrando com a reserva de gás encontrada em Pitanga e que deverá gerar ICMS no Paraná. Todo o dinheiro arrecadado ficaria no próprio Estado, afirmou ele, que disse ter preferência em usar o gás paranaense. Mas uma vez confirmada a vazão do poço, acho que o gasoduto com o gás da região de Pitanga deveria contemplar primeiro municípios menos desenvolvidos das regiões sudoeste e centro-oeste do Estado.


