Gás de Pitanga pode abastecer o Norte
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quarta-feira, 18 de novembro de 1998
Cláudia Lopes 
O presidente da Companhia Paranaense de Gás (Compagás), Luiz Roberto Bruel, afirmou ontem à Folha, por telefone, que se o volume de gás natural do reservatório de Pitanga for confirmado até o final deste ano, esta deverá ser a alternativa mais rápida e econômica para abastecer a região de Londrina. Bruel disse que a solução de abastecer o Norte do Estado com o gás de Pitanga é a que mais lhe agrada e que lhe parece a mais viável. É um gás nosso, afirmou.
A Petrobrás está fazendo levantamentos da vazão e pressão do Poço do Campo de Mato Rico, em Pitanga, desde quinta-feira passada. Os resultados saem nos próximos dias. A reportagem da Folha esteve no local ontem pela manhã. A chama produzida pelo queimador, que chegava a 15 metros, foi desligada ontem à tarde. O barulho era similar ao som produzido pelas turbinas de um avião Boeing 737.
O volume de gás natural descoberto no Poço do Campo de Mato Rico pode ser igual ou maior do que o de Merluza, no litoral de Santos (SP), considerada até hoje a maior reserva de gás natural do País, com capacidade de dois milhões de metros cúbicos/dia. Merluza deve produzir durante 17 anos somente gás, ao contrário de Macaé, no Rio de Janeiro, que produz gás e petróleo. A informação é do engenheiro de Petróleo da Petrobrás, Luiz Carlos Fochesatto, que ontem coordenava os testes no poço do Mato Rico. Os levantamentos começaram há um mês e indicam a capacidade de 1 milhão de metros cúbicos/dia. Mas quando outros poços forem perfurados naquele reservatório, o volume deverá ser muito maior, acredita Luiz Roberto Bruel.
A Compagás, que é responsável pela distribuição do gás natural no Paraná, já enviou uma carta à Petrobrás solicitando informações como preço e volume potencial do poço. Estamos esperando a resposta para iniciarmos nossos estudos no campo do Mato Rico, revelou Bruel. A alternativa de trazer o gás de Pitanga não descarta a possibilidade de, futuramente, haver a construção do ramal Bauru-Londrina (com gás proveniente da Bolívia) e até de importação de gás da Argentina e Paraguai, que são as outras soluções de abastecimento em estudo. Se os testes forem confirmados, o primeiro gasoduto do Norte do Estado deverá transportar gás de Pitanga. O prazo de construção será de 24 meses, calcula.
O Poço do Campo de Mato Rico deverá estar pronto para produzir em 15 dias, segundo o engenheiro Luiz Carlos Fochesatto. O resultado final dos 15 testes feitos no local deverá ser anunciado pela Petrobrás nos próximos dias. O Mato Rico é o terceiro furo aberto pela estatal na região de Pitanga, no centro do Paraná. O primeiros são o Barra Bonita 1 e Barra Bonita 2, que juntos têm capacidade produtiva de 130 mil metros cúbicos/dia. Dos 110 poços abertos na bacia do Paraná nos últimos 40 anos, o Barra Bonita 1 e o 2 foram os dois primeiros com gás comercial. O Mato Rico é o terceiro deste tipo, só que com capacidade de produção muito maior.
O engenheiro admite a possibilidade da Petrobrás ter encontrado o fio da meada do gás natural no Estado. Ele acredita que outros poços com volumes similares serão encontrados nos próximos anos. Nesta semana, a sonda de 50 metros será deslocada do Mato Rico para o município de Palmital a fim de perfurar um novo poço. A perfuração leva cerca de 8 meses para ser concluída. Em cada poço, a Petrobrás investe cerca de US$ 7,5 milhões. Em março, a Petrobrás colocará uma outra sonda operando na região de Pitanga, segundo o engenheiro de petróleo, Euclides Quirino de Queiróz.


