Arquivo FolhaCaixa gordoCom aumento de anteontem, distribuidoras terão R$ 40 milhões a mais para substituir os botijões de gásOs consumidores vão bancar a melhoria das condições de segurança nos botijões de gás de cozinha (GLP) promovidas pelas empresas distribuidoras, e isto poderá gerar novos aumentos de preço no futuro. A afirmação foi feita ontem pelo ministro de Minas e Energia, Raimundo Brito, ao comentar o aumento de 9,89% em média do preço do GLP autorizado na última segunda-feira. ‘‘Eu não conheço nenhuma outra atividade onde o consumidor não pague o preço’’, afirmou Brito.
O ministro admite a possibilidade de discutir novos ajustes nos preços do vasilhame de gás no futuro. ‘‘Isso vai depender do comportamento de vários fatores, inclusive do cumprimento de novas metas pelas distribuidoras’’, disse.
Pela portaria 334, do Ministério de Minas e Energia, o primeiro prazo dado às distribuidoras era 28 de novembro passado para início da instalação de centros de destroca, e 8 de outubro deste ano para as empresas concluírem a etapa de destroca dos botijões.
Segundo Brito, o reajuste já estava previsto desde o início das discussões sobre o código de auto-regulamentação do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo, de agosto passado. ‘‘Esse aumento não é um problema, já estava estabelecido nas negociações iniciais que foram feitas com o setor de distribuição’’, disse Brito.
Nas mesmas negociações, o governo recusou a incorporação de um adicional de R$ 0,20 para patrocinar a requalificação. O reajuste médio autorizado é superior a 200% da reivindicação das empresas, ou seja R$ 0,62. O botijão, em média, passará de R$ 6,37 para R$ 7,00. Com essa medida, o governo vai engordar o caixa das distribuidoras em cerca de R$ 40 milhões por mês.
Segundo Brito, as empresas cumpriram as metas estabelecidas para uma primeira etapa do programa, com a requalificação de praticamente 500 mil botijões e sucateamento de outros 324 mil vasilhames. Da mesma forma, as empresas também instalaram os centros de destroca de botijões, como prometeram. ‘‘Obviamente nós corresponderíamos também, dando um reajuste’’, explicou o ministro. ‘‘Em qualquer lugar do mundo você cumpre obrigações, tem custo e o preço responde’’, disse Brito.
Em agosto passado, porém, o secretário de Direito Econômico do Ministério da Justiça, Aurélio Wander Bastos, afirmou que o custo da requalificação, que durará 15 anos, e a destroca não seria repassado aos consumidores e sim às empresas distribuidoras. A Secretaria de Direito Econômico, porém, não foi comunicada do aumento de segunda-feira e por isso decidiu não se manifestar sobre o assunto.
Brito lembra que, apesar do aumento, o preço do botijão de 13 quilos de gás no Brasil é um dos menores do mundo. ‘‘Todos nós queremos que haja a requalificação para aumentar as condições de segurança para a população’’, afirmou o ministro.

mockup