Curitiba O botijão de 13 kg do gás de cozinha (GLP) é vendido por até R$ 36 em Londrina e subiu R$ 3 desde a sexta-feira passada. O valor do produto na cidade é maior do que o praticado na média do Estado que subiu de R$ 32 para R$ 34, segundo apurou a reportagem da Folha. Além disso, na Capital, há revendedores que estão utilizando o ''efeito Morales'' para justificar o aumento e chegaram a informar aos clientes que o produto ficou mais caro porque é comprado fora do País.
Para não perder clientela, alguns revendedores aplicaram o reajuste e dão desconto para os consumidores que insistem no preço antigo. E, o produto pode ficar mais caro ainda, porque em 1º de setembro é a data-base dos trabalhadores de revendas de gás. Esse custo deve ser repassado para o consumidor.
Outro problema enfrentado pelo setor é o alto índice de clandestinidade. No Paraná são 2 mil revendas regulares e 4 mil clandestinas. Em Curitiba e Região Metropolitana há 600 revendas regulares e 2 mil clandestinas. ''Há consumidores que já chegaram a comprar botijão com água e com menos de 13 kg'', disse o presidente do Sindicato dos Revendedores de Gás do Paraná (Sinregás), José Luiz Rocha. No final de 2006 deve começar um recadastramento dos revendedores que será realizado pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) para pôr fim a clandestinidade. Quem estiver irregular estará sujeito a autuação e fechamento dos ponto de venda.
Rocha explicou que os revendedores compravam o gás das distribuidoras por R$ 23 a R$ 24 na Capital e agora o custo passou para R$ 25 a R$ 26. ''Com o efeito Morales ocorreu uma bolha de consumo, uma correria às compras. Isso aumentou as vendas de 15% a 20% no Brasil e no Paraná. Não temos como absorver os custos'', disse. Segundo ele, os revendedores estão revoltados com o aumento. Mas, ele alertou os consumidores que não vai faltar gás de cozinha.
A dona de casa Janete Nardin ligou para uma revendedora de gás que informou que o preço já estava em R$ 32 na Capital há um mês. Mas, o atendente disse que faria por R$ 31. ''No dia 2 de junho, o vendedor disse que o gás tinha subido para R$ 32 porque o gás vem de fora do País mas que, para mim, iria fazer por R$ 31'', contou.
O responsável pela Distribuidora de Gás Campo Comprido, em Curitiba, Cione Carvalho, disse que o preço é R$ 32 e estava R$ 31 há um mês. ''Não falamos para ninguém que o gás vem de fora. Subiu porque a distribuidora reajustou'', disse.
O presidente do Sinregás acredita não se tratar de má-fé o fato de o revendedor dizer que o gás vem de fora do País mas acha que ele estava mal-informado. Ele lembrou que 95% do gás de cozinha consumido no Brasil é produção nacional. O sindicalista lembrou ainda que em alguns momentos de poucas vendas o revendedor acaba concedendo descontos para o cliente. ''É uma questão de concorrência'', disse.

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