Carmem Murara
De Curitiba
Quatro indústrias paranaenses começaram ontem a receber o gás natural canalizado da Bolívia, marcando o início do fornecimento do produto para toda a Região Sul. Até o final da semana, quando o presidente Fernando Henrique Cardoso irá inaugurar o gasoduto, em Biguaçu (SC), serão 14 empresas da Região Metropolitana de Curitiba que já terão trocado o abastecimento do gás de refinaria pelo natural. O abastecimento é feito pela Companhia Paranaense de Gás (Compagás), que tenta agora um acordo com a Gaspetro – empresa da Petrobras – para reduzir a diferença de preço entre o gás natural e o de refinaria.
O gás natural chega a ser 46% mais caro para a Compagás em relação ao de refinaria, mas para o consumidor final a diferença máxima é de 13%, no caso das maiores consumidoras. A garantia foi dada pelo diretor-técnico comercial da Compagás, Augusto Riezemberg Neto.
A Compagás espera ainda para esta semana uma definição no preço internacional do petróleo, que está sendo discutido pelos países da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). O custo final dos derivados de petróleo vai balizar o interesse das empresas em converter seus equipamentos para trabalhar com o gás combustível. Na próxima semana deverá ser divulgado o novo preço do gás natural para o trimestre. A expectativa do setor é de que haja um aumento de 6% sobre o preço fixado no final do ano passado.
O presidente da Compagás, Antonio Fernando Krempel, disse que há uma tentativa de acordo para manter o preço congelado neste segundo semestre e diluir o reajuste ao longo do ano, quando se espera uma queda no preço do produto. ‘‘A compensação é para que o reajuste não pese para as empresas’’, afirmou Krempel.
As empresas paranaenses que passam a receber o gás natural da Bolívia estão nos municípios de Curitiba, Araucária, Campo Largo, Balsa Nova e Palmeira. Até meados do ano estará concluído o trecho do gasoduto de Ponta Grossa, fechando os 250 quilômetros de tubulação construída pela Compagás. A companhia investiu até agora R$ 35 milhões para montar a rede de abastecimento. Somente neste ano, serão injetados mais 45,9 milhões.
Em toda a região, há 125 indústrias com potencial para usar o gás natural como fonte de energia, mas, por enquanto, a Compagás tem mantido negociações com 67. Se elas fecharem contrato, a Compagás passará a fornecer 500 mil metros cúbicos de gás da Bolívia até o final do ano.

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