Garoto busca a liderança do mercado
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quinta-feira, 20 de novembro de 1997
Carina Paccola Londrina 
Paulo WolfgangDesafioMeyerfreund, presidente da Garoto: Filosofia da empresa agora é preço mínimo e qualidade máxima O ano de 97 não está sendo um dos melhores para a indústria de chocolates no Brasil. O presidente da Chocolates Garoto, Helmut Meyerfreund, disse ontem à Folha que 95 e 96 foram os anos em que o setor mais cresceu no País. Ele credita o desempenho daqueles anos à estabilização da economia no País. Nossa principal matéria-prima, o cacau, cujos preços oscilavam de acordo com as bolsas de Nova York e Londres, passou a ter um custo fixo para nós. Com preços estáveis, o brasileiro consumiu mais chocolate.
Neste ano, a Garoto deve crescer entre 6% e 7%, abaixo do esperado. O comércio está estocado, os preços estão baixos, mas o consumidor está sem dinheiro, segundo Meyerfreund. Ele participou ontem em Londrina da 1ª Semana Paranaense de Qualidade Sebrae/Folha, onde falou sobre As novas tendências do mercado no Brasil e no Mercosul.
Ele ainda não tem previsões para 98. Segundo ele, está difícil avaliar como o mercado consumidor vai se comportar a partir da atual crise. A avaliação pessimista é que haja retração no consumo. Mas pode ser que o consumidor compre menos carros e produtos eletroeletrônicos e mantenha o consumo de produtos pequenos, como o chocolate.
A Garoto, que está entre as três maiores produtoras de chocolates da América Latina, ocupa a segunda posição no mercado nacional, com 29,5%. Está atrás da Lacta, que tem hoje 30% do mercado, e à frente da Nestlé, com 28,2%. Esses três lugares mudam bastante entre si, diz Meyerfreund. Na venda de bombons, a Garoto é líder, com 35,2% (Lacta tem 28,8%; e Nestlé, 26,4%). A marca também lidera a venda de chocolates em tabletes, com 37,3%; seguida pela Nestlé, com 29%; e Lacta, com 24,9%. Os dados são do instituto Nielsen referentes ao primeiro semestre de 1997.
De acordo com Meyerfreund, com essa concorrência acirrada entre as indústrias de chocolate no Brasil, a saída é lançar novos produtos e reformular os já existentes no mercado. Ele conta que a Garoto está implantando o Programa de Qualidade Total. As metas são preço mínimo com qualidade máxima, diz. A empresa já passou pelos 5S (limpeza, higiene, descarte, ordem e organização) e agora está na aplicação do QFD, sigla em inglês que significa Desenvolvimento da Função da Qualidade. É conhecer as características do mercado e verificar o que o consumidor quer.
O primeiro produto a passar por esse programa é o bombom Serenata de Amor, que tem 17,8% do mercado de bombons bola hoje. A meta é elevar a participação para 25% do mercado. Segundo pesquisa feita em São Paulo e no Rio de Janeiro, o consumidor gostaria de ter um bombom mais macio e crocante. É essa a nova fórmula. Meyerfreund afirma que o chocolate ganhou uma mistura de pedaços de amendoim e castanha de caju e o waffer da cobertura está mais crocante. A embalagem também ganhou novo design, com papel celofane brilhante.
Para isso, a Garoto investiu R$ 10 milhões na importação de máquinas e equipamentos para modernizar a linha de produção de bombons. Outros R$ 3 milhões estão sendo destinados para o lançamento da nova versão do produto. Com os equipamentos italianos e alemães, a capacidade de produção de bombons da Garoto aumentou em 70%. O bombom Serenata de Amor é o produto mais vendido da Garoto. O top de vendas é a caixa amarela de bombons sortidos. O grande líder nesse segmento é o Sonho de Valsa, da Lacta. Queremos diminuir a distância entre o nosso produto e o deles.


