Albari RosaReforçoO presidente do Banestado confessa que não entende nada de banco e por isso vai pedir ajuda de Maurício Schulmam (ex-presidente do Bamerindus) e de Karlos Rischbieter (presidente do Instituto Paraná Desenvolvimento)O presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid (Neco Garcia), anunciou ontem que pretende fazer uma reviravolta no programa de reestruturação do banco, que foi lançado no início deste ano pela atual diretoria. Ao invés de transformar a instituição num banco de serviços, Garcia quer a instituição financiando agricultores e concedendo empréstimos. ‘‘O banco tem que retomar o caráter social’’, afirmou. O setor que será beneficiado em primeiro lugar será o da agricultura. Ele criará a Diretoria de Crédito Rural e Operações Especiais para administrar a carteira. Serão criados ainda o cargo de vice-presidente e a Diretoria de Recursos Humanos.
A proposta de Garcia é aumentar de 3% para 25% a participação da carteira de crédito agrícola do banco, que correspondeu a uma aplicação de R$ 100 milhões na última safra. A participação do Banestado no setor comercial é de 40% e no imobiliário é de 38%. Ele justifica o interesse pelo setor, dizendo que 52% do Produto Interno Bruto (PIB) paranaense vém da agricultura e que 60% da mão-de-obra empregada no Estado está nas lavouras.
Ex-presidente da Sociedade Rural do Paraná, o pecuarista Neco Garcia não esconde que vai trabalhar em prol da agropecuária, e mais especificamente a favor dos pequenos produtores. ‘‘A agricultura passará a ser prioridade para o banco. Vamos reativar os financiamentos agrícolas’’, garantiu.
O presidente que deixa o Banestado, Domingos Murta Ramalho, é radicalmente contrário a manter os financiamentos à agricultura. ‘‘Aos poucos a carteria de crédito será extinta’’, disse Ramalho, em entrevista concedida à Folha, uma semana antes do anúncio da mudança do secretariado. Ramalho era favorável ainda ao fechamento de agências deficitárias e transformação do Banestado num banco de varejo. Ele disse que só assim o banco conseguiria se manter competitivo frente à concorrência.
Neco Garcia não pretende fechar agências deficitárias. ‘‘Não é correto fechar agências, mesmo que deficitárias, numa cidade pequena, porque o banco tem um fundo social’’, afirmou Garcia. Ele disse que não vê o banco como um técnico ‘‘que só olha os números’’.
Como havia antecipado à Folha, Neco Garcia confirmou que irá privatizar o Banco del Paraná (agência paraguaia do Banestado), e a Banestado Reflorestadora. ‘‘A idéia é privatizar a médio prazo’’, afirmou. Quanto à Banestado Leasing ele disse que analisará as denúncias feitas pelo senador Roberto Requião (PMDB). O senador acusou a diretoria da Leasing de estar envolvida na compra irregular de precatórios. Garcia quer um levantamento completo da atuação da Leasing.
Garcia se confessa um leigo no sistema financeiro e na vida pública e diz que, por isso, vai se apoiar na consultoria do ex-presidente do grupo Bamerindus, Maurício Schulmann. Ele afirma que pretende pedir ajuda também ao presidente do Instituto Paraná de Desenvolvimento, Karlos Rischbieter.

mockup